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Rivalidade entre árabes na raiz divisões na oposição síria

Internacional|Do R7

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As divisões dentro da oposição síria revelam uma luta por influência regional travada com dinheiro, propaganda midiática e armas, entre o eixo Qatar-Turquia e Arábia Saudita, país ligado à política americana.

"Nosso povo rejeita a imposição de qualquer tutela. As divergências regionais e internacionais complicaram a situação", disse o líder demissionário da Coalizão opositora síria, Ahmed Moaz al-Khatib, em um discurso na cúpula da Liga Árabe, terça-feira em Doha.


Ao mesmo tempo, cerca de 70 personalidades da oposição denunciaram em uma mensagem destinada à cúpula árabe a política de "exclusão" seguida por uma corrente da Coalizão Nacional Síria, referindo-se à Irmandade Muçulmana, e uma "hegemonia árabe e religiosa escandalosa" sobre a oposição, em alusão ao Qatar.

"Há uma luta por influência entre dois eixos principais que não representam toda a oposição, mas que são essenciais para a ajuda material e militar: o eixo Qatar-Turquia, que apoia o movimento da Irmandade Muçulmana, e o eixo saudita, em harmonia com os Estados Unidos", explicou Ziad Majed, professor de Ciência Política da Universidade Americana de Paris.


"Isso influencia a composição interna da oposição política e a filiação dos diferentes grupos militares" acrescentou.

Durante a reunião dos opositores realizada na semana passada em Istambul, os participantes deixaram claras as suas divisões entre partidários e críticos de um "governo interino" para administrar as "zonas liberadas".


Alguns opositores denunciaram Ghasan Hito, eleito chefe deste governo, como "o candidato do Qatar", enquanto outros suspenderam sua filiação ao grupo.

Para Majed, "o eixo saudita-americano preferia adiar a formação do governo interino e o eixo Qatar-Turquia queria formá-lo rapidamente e, portanto, teria feito força para eleger Hitto".


A rivalidade entre as ricas monarquias petroleiras do Golfo e sua vizinha Turquia para assumirem um papel proeminente na região se traduz também no plano militar.

Após a reunião de Istambul, Riad manifestou seu "descontentamento com a eleição de Hito, levando o Exército Sírio Livre (ESL) a rejeitar essa eleição", indicou à AFP um opositor que pediu para não ser identificado.

Combatentes rebeldes de Daraya, na província de Damasco, explicaram à AFP que, quase sem armas e munições, eles estavam a ponto de perder a cidade, assediada pelas tropas do regime há mais de três meses.

No entanto, "quando Khatib ofereceu um diálogo ao regime, as armas chegaram rapidamente", disse um deles.

"Isso quer dizer que as armas estavam armazenadas na fronteira. Como não estavam de acordo com a oferta de Khatib, Turquia e Qatar liberaram as armas para favorecer uma escalada no terreno e colocar em dúvida a pertinência desta oferta", explicou outro combatente.

Segundo um especialista árabe, as armas que Qatar envia chegam a grupos ligados à Irmandade Muçulmana através da Turquia.

Em troca, os sauditas preferem financiar e armar os conselhos militares liderados por dissidentes do Exército "por temor de um crescente papel dos islamitas radicais", uma via apoiada pelos Estados Unidos. As remessas sauditas chegam através da fronteira jordaniana, segundo este especialista.

Em relação aos combatentes salafistas, entre os quais estão os da Frente Al-Nosra, são ONGs com sede principalmente no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos que os financiam, segundo o especialista árabe, que não deseja ser citado.

A rivalidade regional também está presente na imprensa, principalmente entre as redes de televisão Al Jazeera, do Qatar, e Al Arabiya, de capital saudita, que competem para oferecer um espaço aos diferentes grupos da oposição.

rd/tm/sk/dm

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