Rússia acusa rebeldes sírios de minar conferência internacional
Internacional|Do R7
Moscou, 30 mai (EFE).- A Rússia, um dos principais apoios do regime de Bashar al Assad, acusou nesta quarta-feira a oposição síria de minar a conferência internacional de paz promovida por Moscou e Washington para buscar uma solução ao conflito que causou dezenas de milhares de mortos na Síria. Moscou reagiu assim à decisão adotada ontem pela Coalizão Nacional Síria de exigir um calendário que estipule a saída de Assad como condição para participar das negociações. "Essa condição é impossível cumprir", disse o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, ao fim das conversas com o ministro de Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez. O chefe da diplomacia russa reiterou a postura do Kremlin de que o processo negociador deve começar sem nenhum tipo de condição prévia e incluir a todas as partes envolvidas no conflito. "A impressão que dá é que a Coalizão Nacional e seus patrocinadores regionais fazem tudo que é possível para impedir como pode o começo do processo político (...) e para conseguir uma intervenção militar na Síria", disse Lavrov. O ministro russo ressaltou que tipo de postura é "inaceitável" e acrescentou que seu país "parte do princípio que, independentemente do que alguém disser ou decidir, a Coalizão Nacional não é o único representante do povo sírio". "Essa coalizão não tem nenhuma plataforma construtiva (...). A única coisa que os une é a reivindicação da renúncia imediata de Assad", especificou. O titular acrescentou que todos entendem, inclusive os parceiros ocidentais da Rússia, que essa exigência é irreal. "Acredito que haverá forças sensatas entre os americanos e os europeus que possam pôr freio a que encorajam as posturas absolutamente inaceitáveis da Coalizão Nacional", expressou. Por outro lado, Lavrov disse que na Síria há "outros grupos opositores, sérios, que defendem posições patrióticas, e não agressivas", por isso a Coalizão Nacional não pode atuar por assim dizer o único representante da oposição. A Rússia é cada vez mais pessimista sobre as possibilidades da conferência internacional sobre a Síria chegar a acontecer. Nesta terça-feira, Moscou criticou duramente a União Europeia por sua decisão de levantar o embargo às provisões de armas aos grupos opositores sírios. "É dois pesos e duas medidas e um prejuízo direto para os planos de convocar a conferência internacional", declarou Sergei Riabkov, vice-ministro das Relações Exteriores russo, ao comentar a decisão dos 27. Segundo o diplomata, "não se pode, por um lado, anunciar os planos de deter o banho de sangue e, por outro, escolher o caminho de inundar a Síria de armamentos". Ao mesmo tempo, Moscou defendeu o fornecimento de armas ao regime de Assad com o argumento de que se trata de vendas a autoridades legítimas e que estas se ajustam às normas do direito internacional. Quanto aos mísseis antiaéreos russos S-300, que segundo Assad a Síria já começou a receber, Moscou sustenta que são um "fator de contenção" frente a uma eventual intervenção militar exterior no país árabe. Além disso, as autoridades russas sustentam que, por suas características, esse sofisticado armamento não pode ser utilizado no tipo de luta que atualmente é travada na Síria. "Falamos da provisão de armamento defensivo ao governo de um país para a defesa de suas infraestruturas e de suas tropas", disse Riabkov. O vice-ministro ressaltou que Moscou compreende a inquietação que a venda de armas ao regime de Assad gera em muitos dos parceiros da Rússia, mas não vê motivo para mudar sua postura em relação a um governo legítimo receber material bélico. EFE bsi/tr











