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Saiba qual a relação entre Coreia do Norte e guerra no Oriente Médio

Envios de armas do país asiático para a Síria foram interceptados

Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

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Em seis anos, Coreia do Norte realizou 80 testes com mísseis
Em seis anos, Coreia do Norte realizou 80 testes com mísseis

Um país acuado costuma ser perigoso. Diante de um aparente isolamento, o complexo de inferioridade gera prejuízos que podem ser catastróficos. Esses países, simbolizados pela Coreia do Norte neste momento, buscam aliados para, mesmo que clandestinamente, tripudiar e minar as nações inimigas. Essa fórmula perversa é o ponto que une o Oriente Médio em turbilhão na Síria ao conflito na Península coreana.

Artigo do The Jerusalem Post, de Charles Bybelezer, informou que, nos últimos seis meses, dois envios de armamentos norte-coreanos para a Síria, que supostamente continham armas químicas, ou seus componentes, foram interceptados.


Um painel da ONU está neste momento realizando investigações a respeito destas interceptações. O grupo também está analisando o material químico, possivelmente proibido, para mísseis balísticos e também a cooperação entre Síria e Coreia do Norte na produção de armas convencionais. Nos últimos seis anos, a Coreia do Norte realizou 80 testes com mísseis.

O professor de Inteligência, Ricardo Gennari, da Fipe (Fundação Estudos de Pesquisas Aplicadas), da Universidade de São Paulo, também garante que está havendo uma cooperação entre norte-coreanos e sírios, entre outros atores da geopolítica no Oriente Médio. Gennari só não crê que esteja havendo fornecimento direto de armamento nuclear, apenas de insumos para uma possível bomba atômica.


— Que eles devem estar trocando experiências e informações, inclusive com a participação da Rússia, com certeza isso está acontecendo. A Coreia do Norte é autossuficiente na produção de energia nuclear. Eles podem estar passando para a Síria a teoria para a produção de uma arma nuclear. Além de armas bacteriológicas e biológicas. Tudo isso, devido ao fato de haver minério em território norte-coreano. Por outro lado, a Coreia do Norte também está recebendo informações. Ela só não está recebendo material extra porque o controle é rigoroso e seria certamente interceptado.

As palavras de Gennari se encaixam plenamente às de Avner Golov, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel. Ao The Media Line, ele destacou que até alguns anos atrás, a transferência de tecnologias nucleares era a principal ameaça para o Oriente Médio.


— Mas agora o Irã tem sua própria infraestrutura atômica e a ajuda de Pyongyang, que possibilitou a Síria a construir uma infraestrutura, foi destruída (supostamente por Israel em 2007).

Mísseis balísticos


Gennari aponta também para o fato de a tecnologia nuclear norte-coreana ser restrita a armas de pequeno porte.

— A Coreia do Norte possui armas bacteriológicas, biológicas e nucleares. Não se sabe a quantidade exata do armamento. Mas a Coreia do Norte trabalha com ogivas de baixo impacto, de até 150 megatons, que certamente já é suficiente para destruir uma cidade.

Tal tipo de ogiva é compatível com os mísseis balísticos que a Coreia do Norte está testando e que, possivelmente, já estão sendo enviados ao governo sírio. Golov também deixa claro que a preocupação em relação à transferência de material nuclear perdeu espaço, já que a região tem sido capaz de produzi-lo.

— Hoje, a questão mais urgente é a cooperação em mísseis balísticos, bem como o compartilhamento de tecnologia para encolher as ogivas nucleares (para que possam ser levadas em mísseis).

Esse intercâmbio oriental, entre o coração da Ásia e o Oriente Médio, é antigo. Remete à década de 1970, quando Israel se fortalecia na região, em meio a uma movimentação hostil dos países árabes.

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Muitos deles, produtores de petróleo que, formalmente, "chantageavam" o mundo, em busca de apoio, reduzindo a exportação deste combustível fóssil. Informalmente, porém, já havia uma rede de transferência de armas, inclusives nucleares.

A Coreia do Norte e o Paquistão, que também desenvolveu armas nucleares, por exemplo, foram fortes parceiros no desenvolvimento de mísseis balísticos e de tecnologias atômicas, de acordo com o The Jerusalem Post. 

Um proeminente cientista nuclear paquistanês, Aq Khan, deu auxílio à Coreia do Norte. Esta compartilhou segredos comerciais com a Líbia, a Síria e o Irã. Todo esse complexo de informações mostra que estes países tidos como isolados, na verdade, não estão tão isolados assim.

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