Santos adverte às Farc que se não houver avanços deixará diálogos
Internacional|Do R7
Bogotá, 23 fev (EFE).- O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, advertiu neste sábado às Farc que se não houver avanços nas conversas de paz que seu governo e essa organização armada mantêm em Cuba, se levantará da mesa de negociação. "Na medida em que avancemos, estaremos satisfeitos, mas se não avançamos, nos levantaremos da mesa", disse Santos a jornalistas após liderar uma reunião com líderes e habitantes do município de Santa Bárbara, no departamento de Antioquia. E acrescentou: "Eu espero que continuemos avançando e, enquanto isso, as regras do jogo são também muito claras. Aqui não há trégua de nenhuma natureza". Em tom enérgico, Santos acrescentou: "o que esperamos é que continuemos avançando em Cuba para chegar aos acordos. E aí, sim, assinar a paz através dos acordos; não de cartas, não de expressões, de manifestações, mas de acordos concretos", manifestou. Na sexta-feira, o representante da câmara, o liberal Carlos Julio Bonilla, disse que o partido apoia o presidente Santos caso se retire da mesa de negociação. "Presidente: vê-se que o processo de paz não avança, saia da mesa, que o Partido Liberal será o primeiro a apoiá-lo". Enquanto isso, o chefe único do Partido Liberal, Simón Gaviria, assegurou que não se pode admitir nenhuma condição à paz para continuar com os diálogos, inclusive a cessação bilateral ao fogo. Ontem, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), através de seu líder máximo, "Timochenko" ou "Timoleón Jiménez", criticaram a entrega de terras supostamente usurpadas pela guerrilha a camponeses realizada esta semana pelo governo colombiano e puseram em dúvida que o presidente Santos tenha intenção de paz. "Timochenko" acrescentou: "pensávamos que Santos era sincero ao manifestar que sonhava em entrar para a história como o presidente que conseguiu a paz (...). Seu comportamento e suas palavras em San Vicente del Caguán nos deixaram perplexos". O líder das Farc lamentou que, enquanto a mesa de negociação para a paz instalada em Cuba conseguiu "grandes avanços", as "atitudes oficiais" como a de Santos "ameaçam afundar em um pântano" o processo. No ato de entrega de terras, na quarta-feira no departamento do Caquetá, Santos disse que "11 anos depois, em vez de estar sendo despejados pelas Farc, estamos despejando às Farc de suas terras ilícitas e estamos entregando aos camponeses a terra que lhes corresponde e que lhes pertence", anunciou Santos. Além disso, o presidente identificou Víctor Julio Suárez Rojas, conhecido como "Mono Jojoy", como "um dos grandes fazendeiros" da Colômbia que fez seu patrimônio à custa do Estado. Neste sábado, Santos, sem mencionar as Farc, disse: "simplesmente quero dizer que no processo de paz, o medidor para mim, para o governo, sobre seus avanços ou não, é lá em Cuba". Acrescentou que como expressou desde o início dos diálogos, não haverá nenhum tipo de trégua bilateral. De Havana, as Farc exigiram hoje a realização de um cadastro extraordinário na Colômbia como parte de suas propostas sobre o tema agrário nos diálogos de paz. O grupo rebelde anunciou sua iniciativa de "realizar extraordinariamente um cadastro alternativo do despojo e o deslocamento forçado" como parte de suas propostas referidas ao tema de acesso e uso da terra. Segundo o texto, lido pelo guerrilheiro Ricardo Téllez, conhecido como "Rodrigo Granda", "a modernização e atualização dos sistemas de cadastro e registro imobiliário devem ser instrumento para a democratização da propriedade sobre a terra, sua necessária desconcentração, e de reparação integral às vítimas do conflito". A proposta de dez pontos contempla cadastros para a reforma agrária, para os territórios camponeses, os interétnicos e interculturais, os indígenas e de afrodescendentes, e para os latifúndios e grandes propriedades de terra. Téllez divulgou as propostas ao chegar ao Palácio de Convenções, sede dos diálogos de paz em Havana entre as Farc e o Executivo colombiano, ao que a guerrilha voltou a criticar hoje por suas posturas sobre o assunto da terra. EFE ocm/tr











