Logo R7.com
RecordPlus

Seis meses depois de "Sandy", Nova York ainda tem feridas abertas

Internacional|Do R7

  • Google News

Rafael Cañas. Nova York, 28 abr (EFE).- Mesmo seis meses depois de o furacão "Sandy" ter arrasado grande parte das áreas litorâneas da cidade, Nova York não fechou ainda as feridas físicas e emocionais, com um processo de reconstrução com muito a ser feito e muitas famílias que sobrevivem em condições muito difíceis. "Sandy" chegou a Nova York na noite de 29 de outubro do ano passado com ventos de 120 km/h e, sobretudo, uma enxurrada provocada pela maré alta e que inundou todas as regiões baixas de uma cidade composta sobretudo por ilhas. O furacão causou 48 mortes em Nova York (muitos afogados em suas casas) quando ondas de vários metros arrasaram residências e lojas, inundaram túneis e a rede de metrô. Milhares de casas ficaram destruídas ou gravemente danificadas, especialmente em Staten Island e a península de Rockaways (Queens). A parte sul de Manhattan e áreas de Brooklyn e Queens ficaram sem eletricidade durante dias (em alguns bairros vizinhos, semanas). Agora, muitas das regiões mais turísticas da cidade, como Battery Park (que sofreu uma inundação de quatro metros de altura) já estão recuperadas, e lá "Sandy" só é uma lembrança. Porém, em pontos menos visitados e muito modestos do Queens ou de Staten Island, a recuperação não chegou, e a tragédia segue muito presente. Seis meses depois do furacão, os filhos de Lucina Muñoz ainda estão "traumatizados" pela angustiante evacuação da pequena casa onde esta família de imigrantes mexicanos vivia na região de Midland Beach, em Staten Island. Lucina não conseguiu conter as lágrimas ao lembrar, em entrevista à Agência Efe, como ela, seu marido e seus três filhos (de 9, 7 e 5 anos) tiveram que fugir por uma janela para não morrerem afogados em uma casa na qual a água chegou ao segundo andar. Um latão de lixo de plástico permitiu aos adultos levar um por um seus filhos até uma zona um pouco mais alta, e a mãe, que não sabe nadar, foi levada por seu marido a uma tábua. Lá, foram resgatados pelos bombeiros. Eles se salvaram, mas um casal de idosos que vivia ao lado morreu afogado. Em Staten Island faleceram 23 pessoas na tragédia, 11 delas nesta vizinhança. "Tudo ficou debaixo d'água, perdemos tudo", disse Lucina, que apesar de sua família estar a salvo lamentou, junto com seu marido, que tudo o que conseguiram após nove anos de trabalho duro nos Estados Unidos (móveis, roupa, móveis e utensílios domésticos, brinquedos) ter sido tragado ou destruído pelas águas. Após duas semanas em um albergue e mais um tempo com parentes, desde dezembro eles vivem de aluguel em outra casa e se recuperaram graças a algumas ajudas (das autoridades, a escola de seus filhos, o consulado mexicano e um centro de apoio a imigrantes latino-americanos). Seus filhos recebem tratamento psicológico da Cruz Vermelha. Mas todas essas ajudas não cobrem nem de longe a perda das posses desta família de modestos imigrantes. Por exemplo, ainda estão sem camas e se deitam em sacos de dormir de camping. A família de Lucina, assim como a de sua amiga peruana Andrea Fernández e de outras dezenas de milhares de pessoas, não seguiu a ordem de evacuação das autoridades depois da passagem do furacão "Irene", em 2011, quando nada grave lhes aconteceu. Mas "Sandy" entrou com uma força inusitada, e a casa de Andrea - situada, como a de Lucina, a cerca de 300 metros da praia - tem uma marca que testemunha como a água chegou a uma altura de 2,2 metros. O marido de Andrea e os dois filhos do casal tiveram que ser retirados por uma janela até um pequeno barco a remo de um vizinho - que quase tombou por excesso de carga -, no qual foram levados à casa da sogra de Andrea, que é mais alta. Essa casa também foi atingida pela inundação, mas para não ficar submersa, seus ocupantes tiveram que quebrar uma parede para irem à casa situada atrás, ainda mais alta. Andrea e seu marido não tinham seguro, e após perderem absolutamente tudo - a água de mar destruiu paredes e eletrodomésticos -, receberam pouca ajuda. Eles também dependeram de familiares e donativos, e vivem de aluguel em uma casa de madeira, mas quase sem móveis. E se queixam de que os responsáveis por algumas entidades filantrópicas não distribuem ajuda entre imigrantes hispânicos. Andrea também se emociona lembrando o calvário pelo qual sua família está passando, especialmente seus filhos de 9 e 7 anos, enquanto todos tentam reparar a casa em seu tempo livre. Em seis meses, quase não conseguiram tirar escombros e limpar a metade do pequeno imóvel. Outras 600 famílias nova-iorquinas que ainda estão sem casa vivem hospedadas em hotéis pagos pelas autoridades, mas este programa termina na próxima quarta-feira e eles ainda não têm aonde ir. Por Nova York e seus arredores prosseguem as obras de reconstrução. Foram reparadas mais de 100 escolas danificadas e retiradas dezenas de milhares de metros cúbicos de escombros. Mas a linha A do metrô ainda não pôde ser reaberta em Rockaways. A estação de South Ferry, no extremo sul de Manhattan, abriu parcialmente no início deste mês. Em Red Hook, no Brooklyn, o supermercado Fairway sofreu danos no valor de US$ 14 milhões e não pôde reabrir até março, quatro meses depois do furacão. O aquário de Nova York (em Brighton Beach, no Brooklyn) espera ser reaberto nesta primavera, assim como a Estátua da Liberdade e a vizinha ilha de Ellis, que integram um parque nacional e continuam fechadas. Após vários atrasos, está previsto que reabram em 4 de julho, feriado de independência dos Estados Unidos. EFE rcf/id (vídeo)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.