Senado cria CPI para investigar denúncias de espionagem americana
Internacional|Do R7
Brasília, 3 set (EFE).- O Senado criou nesta terça-feira uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as denúncias sobre a espionagem dos Estados Unidos no país, que, segundo documentos vazados pelo ex-analista da CIA, Edward Snowden, chegou a afetar comunicações da presidente Dilma Rousseff. A CPI da Espionagem será presidida pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), cuja primeira decisão foi pedir proteção policial para o jornalista Glenn Greenwald, do jornal "The Guardian", e seu companheiro, o brasileiro David Miranda. Greenwald, que mora no Rio de Janeiro com Miranda, é um dos principais contatos de Snowden, que lhe entregou muitos dos documentos que revelaram as dimensões das redes de espionagem americana no mundo. Há duas semanas, quando retornava de Berlim para o Rio de Janeiro via Londres, Miranda foi retido durante nove horas pelas autoridades britânicas, que alegou que se tratava de uma investigação relacionada com a luta contra o terrorismo. Segundo alguns documentos já publicados por Greenwald, o Brasil foi um dos países espionados pelos EUA, que chegaram a ter uma base de inteligência em Brasília, que operou pelo menos até 2002. A última revelação sobre a espionagem no país foi feita no domingo passado pela "Rede Globo", que apresentou documentos entregues por Snowden a Greenwald, segundo os quais a NSA teve acesso a e-mails e telefonemas de Dilma. Após as primeiras denúncias, o Brasil havia reagido com um protesto perante os EUA e denunciado o caso nas Nações Unidas junto com seus parceiros do Mercosul. Nesta segunda-feira, depois que se conheceram as novas denúncias, o Brasil convocou o embaixador dos EUA no país, Thomas Shannon, e exigiu explicações "rápidas e por escrito" ao governo de Barack Obama, que até agora não se pronunciou. "Transmiti a indignação do governo" e "manifestei que a violação das comunicações da presidente é inadmissível, inaceitável, e constitui uma violação da soberania brasileira", disse o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, sobre sua reunião com Shannon. Dilma viajou ontem rumo à cidade russa de São Petersburgo, onde, na quinta e na sexta-feira, participará da Cúpula do G20, na qual Obama também estará presente. Fontes oficiais disseram à Agência Efe que não está prevista uma reunião entre Dilma e Obama, mas também não descartaram que possa ocorrer, como costuma acontecer nas cúpulas. As novas denúncias surgiram no momento no qual Dilma prepara uma visita a Washington, prevista para o dia 23 de outubro. Essa visita seria a primeira de um presidente brasileiro à Casa Branca revestida com caráter de Estado desde 1995, quando Fernando Henrique Cardoso foi recebido com essas honras pelo então presidente americano Bill Clinton. Ontem, ao explicar em entrevista coletiva a reação do Brasil frente às novas denúncias, Figueiredo se negou várias vezes a responder se a viagem está mantida. "Não estou aqui para falar dessa visita", respondeu. EFE ed/rsd










