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Taftanaz, uma cidade fantasma após os bombardeios do regime sírio

Internacional|Do R7

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Taftanaz (Síria), 6 fev (EFE).- A cidade de Taftanaz, ao noroeste da Síria, perto da histórica Aleppo, se transformou em um "local fantasma" após ter sido praticamente destruída pelos bombardeiros do regime de Bashar al Assad. Dos 19 mil habitantes registrados no censo popular feito há dois anos, hoje restam menos de mil, os demais abandonaram o local expulsos pela violência e pela destruição. As ruas de Taftanaz, cheias de buracos por impactos de munições, estão vazias e os únicos que se atrevem a sair são os jovens rebeldes em motocicletas e armados com rifles automáticos, que patrulham as casas abandonadas. Alguns dos edifícios semi-destruídos e a ponto de cair mostram sinais de fogo ou já estão completamente carbonizados. "Os soldados do Exército de Assad queimaram os edifícios após os bombardeios aéreos", afirmou à Agência Efe um desses patrulheiros, que se identificou como Mohammed. O jovem mostra uma gravação em seu telefone celular de uma manifestação contra o regime que aconteceu há vários meses,e agora neste lugar só restam ruínas. Trata-se dos arredores da principal mesquita de Taftanaz - um dos muitos edifícios completamente destruídos - onde é possível ver somente a ponta da torre entre os escombros, onde ainda há muitos corpos, assegurou Mohammed. Além disso, em um campo semeado, o jovem patrulheiro de apenas 19 anos mostra um míssil lançado por um helicóptero do Exército, que não explodiu ao tocar o solo. O míssil, com inscrições em russo, permanece cravado na terra porque os rebeldes não dispõem de equipamento nem pessoas especializadas para desativá-lo. "Temos sorte de que hoje está nublado. Quando o tempo está ruim e não há sol, a aviação do regime não sai porque seus sistemas automáticos de pontaria são tão velhos que não funcionam bem. Só quando o céu está aberto sabem onde disparam", explicou Mohammed. Neste mesmo lugar aconteceu, há vários meses, um dos maiores massacres deste conflito: a aviação disparou contra uma fila de gente que queria comprar pão, deixando vários mortos. Após um bom período de tempo, aparece o primeiro civil nas ruas da cidade. É uma idosa de cerca de 80 anos de idade chamada Nour. "Os bombardeios continuam de vez em quando e às vezes temos que abandonar a cidade. Graças a Deus, meus filhos já não estão aqui, se refugiaram na Turquia e se salvaram deste matadouro. Eu não posso, sou velha demais", contou. "A Síria necessitará de pelo menos 20 anos para se recuperar. Tomara que Deus tenha clemência", concluiu a idosa. Em Taftanaz, a cerca de 25 quilômetros de Aleppo, se encontra uma estratégica base aérea que os rebeldes tomaram no início de janeiro, uma das maiores conquistas em sua luta, porque os helicópteros do regime sírio já não podem sair e bombardear de forma tão intensiva a região como antes. Os rebeldes que cuidam da entrada da base, capturada com a ajuda fundamental do grupo radical islâmico Frente al Nusra, que reivindicou a autoria de vários atentados na Síria, impedem o acesso aos jornalistas. Explicam que ao ver as fotos de imprensa, o regime poderia localizar as posições exatas dos rebeldes para bombardeá-los. EFE vp/ff/rsd (vídeo) (foto)

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