Tensão e acusações tomam conta da Venezuela após eleições contestadas
Internacional|Do R7
José Luis Paniagua. Caracas, 16 abr (EFE).- A tensão e as acusações mútuas tomaram conta da Venezuela apenas 48 horas depois da divulgação dos resultados das eleições de domingo, em que o candidato chavista, Nicolás Maduro, venceu o opositor Henrique Capriles por estreita margem de votos. Os incidentes da noite de segunda-feira deixaram o saldo de sete mortos e mais de 60 feridos, com o Governo culpando a oposição e a oposição culpando o Governo. Maduro atacou Capriles sem contemplações nesta terça-feira, chamando o opositor de "covarde assassino" e responsabilizando-o pelas mortes de ontem por supostamente ter instigado seus seguidores "à violência nas ruas". Segundo ele, Capriles responderá à Justiça "mais cedo que tarde". Já o opositor assegurou que o presidente eleito quer "colocar o país em uma situação de violência" para tirar o foco da recontagem exigida por ele após a vitória de Maduro por 272 mil votos de vantagem, segundo a última apuração do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, informou hoje que as mortes, todas de supostos chavistas que celebravam a vitória de Maduro ontem, aconteceram após disparos de opositores que estavam em veículos, e afirmou que 137 pessoas estão detidas. Além disso, indicou que os protestos de opositores deixaram sedes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) queimadas, veículos incendiados e destroços em estabelecimentos públicos e privados. Maduro assegurou que o ocorrido é a "crônica de um golpe anunciado". "Eu posso dizer hoje que derrotamos o golpe de Estado, mas eles vão continuar tentando desestabilizar. Declaro derrotado o golpe de Estado com o povo e as Forças Armadas", exclamou Maduro. O presidente eleito proibiu uma manifestação da oposição que ocorreria amanhã em frente ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para exigir a recontagem de 100% dos votos das eleições de domingo. "Agora estão planejando para amanhã uma marcha ao centro de Caracas. Não será permitida a marcha ao centro de Caracas, vocês não vão ao centro de Caracas para enchê-lo de morte e de sangue. Eu não vou permitir", indicou Maduro. Capriles respondeu cancelando a manifestação. "Tomei a decisão: amanhã não vamos nos mobilizar e peço a todos os meus seguidores que respeitem isso. Quem promover a violência estará fazendo o jogo do Governo", indicou o líder opositor em entrevista coletiva cuja transmissão foi interrompida por uma emissora de rádio e televisão aliada de Maduro. O líder da oposição ressaltou que "esta é uma luta para que se conheça a verdade" e assegurou que continuará com as exigências mediante "protestos pacíficos". Capriles se mostrou enfático em desvincular-se da violência e disse que quem não seguir o caminho pacífico não tem nada a ver com seu projeto. Em todo caso, ele incentivou a continuação dos panelaços todos os dias, inclusive na sexta-feira, data da posse de Maduro. Nesta terça-feira a oposição voltou a fazer um panelaço para exigir que o Governo aceite a recontagem dos votos, enquanto o chavismo respondeu com fogos de artifício para comemorar a vitória de Maduro. Também nesta terça-feira o líder opositor convidou o Governo de Maduro ao diálogo a fim de resolver a crise no país. "Quero dizer aos venezuelanos e ao Governo que estamos dispostos a abrir um diálogo para que essa crise possa ser resolvida nas próximas horas", assinalou. "Já começaram a recuar hoje, a retroceder, mas por muito que retrocedam terão que ver a cara da Justiça mais cedo que tarde, porque são responsáveis por isso", respondeu Maduro posteriormente em um ataque direto a Capriles. Maduro reiterou suas acusações de "assassino" e anunciou que não o reconhecerá como governador do estado de Miranda, perante a decisão de Capriles de considerá-lo um presidente ilegítimo, e antecipou que fará o mesmo com os outros líderes de estados que não aceitarem o resultado de domingo. A Assembleia Nacional também foi cenário da tensão e de uma insólita decisão de seu presidente, Diosdado Cabello, de não dar a palavra aos deputados que não reconhecessem Maduro como presidente eleito. "Não darei o direito de falar, podem ir aonde quiserem. Vão dar declarações à 'Globovision', mas aqui não", acrescentou, em alusão ao canal privado crítico ao Governo. Na sessão, os deputados opositores denunciaram ter sido alvo de agressões físicas após o lançamento de objetos contra eles. Um deles atingiu o legislador William Dávila, que precisou levar pontos para fechar o corte, segundo indicou à Agência Efe a deputada María Corina Machado. EFE jlp/pa (foto) (vídeo)











