Testemunho de membro da Al Qaeda é negado em julgamento de genro de Bin Laden
Internacional|Do R7
Nova York, 18 mar (EFE).- O magistrado encarregado do julgamento por terrorismo de Suleiman Abu Ghaith, genro de Osama bin Laden, rejeitou nesta terça-feira o pedido da defesa para contar com o testemunho do considerado cérebro dos atentados de 11/9, Khalid Sheikh Mohammed, atualmente preso em Guantánamo. A decisão foi comunicada hoje oralmente às partes pelo juiz federal Lewis Kaplan, segundo indicou à Agência Efe uma porta-voz da promotoria de Manhattan, que acusa Abu Ghaith de fomentar o terrorismo contra os Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001. A defesa queria que Mohammed falasse desde Guantánamo por meio de videoconferência ou, que o juiz levasse em conta um documento com respostas por escrito que o suposto terrorista facilitou às perguntas dos advogados de Abu Ghaith. Ambas as opções foram negadas pelo juiz Kaplan, que amanhã seguirá escutando os argumentos da defesa. A defesa queria que Mohammed declarasse que Abu Ghaith não tinha papel militar na Al Qaeda e não sabia dos planos para cometer atentados. Abu Ghaith, a maior figura vinculada à Al Qaeda julgada nos Estados Unidos desde 11/9, enfrentará uma pena máxima de prisão perpétua se for considerado culpado. Segundo a acusação, Ghaith foi um dos porta-vozes do grupo terrorista desde maio de 2001 até meados de 2002, e após os atentados de 11/9, gravou várias declarações nas quais ameaçava os EUA com novos ataques. Abu Ghaith teria estado na Al Qaeda junto a Bin Laden e seu ajudante Ayman al-Zawahiri nesse período, atuando como porta-voz ocasional, apoiando a rede terrorista e alertando sobre ataques "similares aos de 11/9", acrescenta a ata de acusação. O acusado aparecia, segundo as autoridades americanas, em um vídeo divulgado no dia seguinte ao atentado junto às duas máxima figuras da Al Qaeda. Nessa gravação, o acusado advertia aos EUA e seus aliados que "um grande Exército estava se reunindo contra eles" e chamava "a nação do Islã" a combater os "judeus, cristãos e americanos". Abu Ghaith, que se declarou inocente, nasceu no Kuwait há 47 anos e é casado com a filha mais velha de Bin Laden, Fátima. O acusado se transferiu ao Afeganistão em 2000 e escapou do país dois anos depois rumo ao Irã, onde permaneceu detido durante anos, segundo ele mesmo indicou às autoridades. Posteriormente, Ghaith passou à Turquia, em janeiro de 2013, onde após ficar um tempo detido, foi solto e pegou um avião em 28 de fevereiro para ver sua família no Kuwait, segundo seu relato. O voo foi desviado à Jordânia e Abu Ghaith foi detido e entregue às autoridades americanas em março do ano passado. EFE mvs/ff












