Timmy morreu? Baleia desaparece após resgate milionário e divide Alemanha
Rastreamento sem localização alimenta dúvidas sobre o destino da jubarte retirada do Mar Báltico depois de semanas de controvérsia
Internacional|Do R7
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O paradeiro da baleia-jubarte apelidada de Timmy segue desconhecido poucos dias após uma complexa operação privada que mobilizou autoridades, empresários e voluntários na Alemanha. Sem dados conclusivos do rastreador instalado no animal, cientistas avaliam que há alta probabilidade de que o animal tenha morrido, embora o governo do estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental conteste essa hipótese.
Timmy, um jovem macho de cerca de 12 metros de comprimento, foi visto pela primeira vez em 23 de março em águas rasas próximas à praia de Timmendorfer Strand, no litoral alemão do Mar Báltico. O local inspirou o apelido dado ao animal. Após conseguir se soltar, a baleia voltou a encalhar diversas vezes nas semanas seguintes, principalmente nas proximidades da ilha de Poel e da cidade de Wismar.
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Segundo observadores, havia restos de cordas e redes de pesca em sua boca, o que sugere que o animal já estava debilitado antes de entrar no Báltico. Especialistas também relataram alterações na pele compatíveis com a exposição prolongada a águas menos salgadas do que as do oceano.
Diante do estado de saúde da baleia, cientistas e um painel de especialistas da Comissão Internacional da Baleia (IWC) recomendaram que o animal fosse mantido úmido e deixado em paz, sem novas tentativas de resgate. Para esses especialistas, essa era a medida mais humana e responsável.
A orientação, no entanto, foi contestada por moradores e por uma iniciativa privada financiada pelos bilionários Karin Walter-Mommert e Walter Gunz. Com apoio do secretário estadual do Meio Ambiente, Till Backhaus, foi autorizada uma operação para transportar Timmy por mais de 400 quilômetros até o Mar do Norte.
O resgate ganhou ampla repercussão. Milhares de pessoas acompanharam as tentativas ao vivo pela internet, enquanto o caso provocava forte debate entre defensores da intervenção e especialistas que consideravam o processo um prolongamento desnecessário do sofrimento do animal.
Inicialmente, equipes aprofundaram o fundo raso do Báltico para criar um canal. Depois, utilizaram flutuadores infláveis para tentar rebocar a baleia. Como as manobras não surtiram efeito, Timmy foi conduzido para uma barcaça com água e rebocado por meio dos estreitos dinamarqueses até águas mais profundas.
A etapa final também gerou críticas. Segundo relatos, o animal relutou em deixar a embarcação, e uma corda foi presa à nadadeira caudal para ajudá-lo a sair. Veterinários e biólogos afirmaram que o procedimento envolvia alto risco de ferimentos.
No dia 2 de maio, Timmy foi liberado no estreito de Skagerrak, entre Dinamarca, Noruega e Suécia. A cena foi recebida com euforia nas redes sociais, mas o desfecho rapidamente deu lugar à incerteza.
Um transmissor por satélite foi instalado na baleia para acompanhar seus deslocamentos. Até o momento, o equipamento registrou cerca de 25 sinais, mas nenhum dado de localização. Especialistas destacam que esse tipo de dispositivo não mede sinais vitais, o que impede confirmar se o animal está vivo.
O Museu Oceanográfico Alemão, em Stralsund, informou que considera “altamente provável” que Timmy tenha morrido. Segundo a instituição, o mamífero estava extremamente enfraquecido e talvez não tivesse força suficiente para nadar por longos períodos em águas profundas.
O secretário Till Backhaus rejeitou essa conclusão e afirmou que não há fatos concretos que sustentem a hipótese de morte. Ele também cobrou o compartilhamento de eventuais informações adicionais por parte do museu.
Outros especialistas criticaram a falta de transparência sobre o rastreamento e sobre a condução da operação. O biólogo marinho dinamarquês Peter Madsen classificou a ausência de dados como incomum e inadequada. Já o pesquisador Fabian Ritter afirmou que, se não for possível determinar o destino da baleia, todo o esforço terá sido em vão.
Também surgiram divergências entre integrantes da própria missão. A veterinária Kirsten Tönnies relatou que foi impedida de acompanhar a última tentativa de soltura e discordou do procedimento adotado, inclusive por não ter podido dar uma liberação médica final.
Os financiadores do projeto se distanciaram da forma como a baleia foi liberada e defenderam que eventuais responsabilidades recaiam sobre os operadores das embarcações envolvidas.
O custo da operação foi estimado em 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 8,6 milhões), valor arcado por recursos privados. O episódio provocou intenso debate na Alemanha sobre os limites da intervenção humana em casos de animais silvestres gravemente debilitados.
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