Ucrânia libertará quase todos os detidos durante os protestos
Apenas os manisfestantes que cometeram crimes graves continuarão presos
Internacional|Do R7

O Parlamento da Ucrânia aprovou nesta quarta-feira (29), após uma longa sessão extraordinária, uma anistia que deixará em liberdade quase todos os detidos durante os grandes protestos e distúrbios dos últimos dois meses.
Após dois dias de negociação e reuniões, governistas e oposição aprovaram por 232 votos um projeto de lei pactuado para deixar em liberdade todos os detidos, com a exceção daqueles que tenham cometido delitos graves.
O governista Partido das Regiões e o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, conseguiram que a oposição europeísta se comprometesse a abandonar as sedes administrativas tomadas por seus ativistas durante os protestos, entre as quais estão a prefeitura de Kiev e a delegação do governo central em Lviv, reduto dos nacionalistas ucranianos.
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A oposição também pode se orgulhar de não ter cedido, já que seguirão ocupando a Casa dos Sindicatos e o Palácio de Outubro, ao mesmo tempo em que não terão que desmontar a cidadela de barracas de campanha instalada desde o final de novembro no coração de Kiev, como pretendia Yanukovich e seu partido.
A anistia entrará em vigor quando os opositores desalojarem todos os edifícios administrativos, informaram as agências ucranianas. O líder do ultranacionalista Svoboda, Oleg Tiagnibok, declarou na saída da sessão parlamentar que será a chamada Rada Popular — como se proclamou o grupo de manifestantes pacíficos que se reúnem todos os dias na Praça da Independência de Kiev — que decidirá os próximos passos da oposição.
Perante as crescentes manifestações europeístas no centro de Kiev, ocupado pela oposição, a maioria parlamentar governista aprovou no último dia 16 uma série de leis para restringir o direito de reunião e outras liberdades civis, o que atiçou ainda mais os protestos grandes.
Três dias depois, a capital se transformou em palco de violentos confrontos entre manifestantes e policiais que terminaram com vários mortos -seis, segundo a oposição; três, de acordo com a versão oficial- e centenas de feridos.
No dia 23 de janeiro, perante a gravidade da situação, as autoridades e os líderes opositores estabeleceram uma trégua e iniciaram um processo de negociações.
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