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Ucrânia pró-Rússia se levanta contra as novas autoridades em Kiev

Internacional|Do R7

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Boris Klimenko. Kiev, 1 mar (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas saíram neste sábado às ruas de Kharkiv, Donetsk, Odessa e Simferopol, a capital da Crimeia, para expressar sua rejeição às novas autoridades da Ucrânia, que completam hoje uma semana no poder após a deposição, através do Parlamento, do foragido presidente Viktor Yanukovich. Várias instituições nas regiões pró-russas da Ucrânia, no leste e no sul do país, declararam abertamente não reconhecer o governo central de Kiev, inclusive antes de o Senado russo autorizar hoje o envio de tropas à Crimeia, cuja maioria da população é de origem russa e onde existe uma base da Frota do Mar Negro da Rússia. A assembleia municipal de Donetsk, estado e região de origem de Yanukovich, se negou hoje oficialmente a reconhecer o novo governo ucraniano do primeiro-ministro Arseni Yatseniuk e estabeleceu o russo como segundo idioma oficial na cidade, informou a imprensa local. Os deputados também ordenaram a criação de uma polícia municipal "para se proteger de possíveis agressões por parte das forças radicais nacionalistas" ucranianas e exigiram que as autoridades regionais convocassem um referendo sobre o futuro de Donbass, a região de minas de carvão na qual se encontra Donetsk. Cerca de 10 mil manifestantes pró-russos elegeram Pavel Gubarev, chefe da Milícia Popular de Donbass, como novo governador popular da região, de acordo com a imprensa ucraniana. Gubarev fez um ultimato às autoridades regionais para que desobedeçam Kiev e pediu que os manifestantes levantassem um acampamento em frente à delegação do governo. Em Kharkiv, a principal cidade de maioria russa da Ucrânia, uma centena de pessoas ficaram feridas nos choques entre manifestantes pró-russos convocados pelo prefeito da cidade, Gennady Kersen, e ativistas do movimento popular europeísta conhecido como Euromaidan, leais às novas autoridades ucranianas. Após os confrontos em que foi possível ouvir disparos, os pró-russos romperam o cordão de isolamento formado pelos europeístas e tomaram a delegação do governo central em Kharkiv e, posteriormente, colocaram uma bandeira russa sobre a porta da mesma. Mais de 10 mil pessoas exigiram uma progressiva federalização do país ao novo governo ucraniano, o arquivamento dos processos judiciais contra os policiais que "cumpriram com seu dever" durante os violentos distúrbios da semana passada em Kiev, com aproximadamente 100 mortes, e o reconhecimento do russo como segundo idioma oficial. Até 20 mil pessoas com bandeiras russas nas mãos tomaram as ruas de Odessa, no sul do país, para rejeitar o governo de Yatseniuk e exigir que as autoridades locais indicassem um representante para negociar com a população da cidade. A Ucrânia se mantém a espera de uma possível intervenção das tropas russas na Crimeia, cujo recém-nomeado chefe do governo republicano, Sergei Aksionov, da legenda pró-russa Unidade Russa, pediu hoje ajuda a Putin para "proteger" a população da península. O líder do partido UDAR, Vitali Klitshko, um dos artífices da reviravolta no poder que acabou há uma semana com o regime de Yanukovich, pediu hoje a mobilização total das tropas ucranianas após conhecer a decisão do Senado russo, que autorizou o uso das Forças Armadas russas no território da Ucrânia. Por sua vez, o presidente interino da Ucrânia, Aleksander Turchinov, advertiu a Rússia que seu comportamento é uma agressão direta à soberania do país. Enquanto isso, alguns grupos armados - que segundo a Ucrânia pertencem às Forças Armadas da Rússia - já tomaram o controle de alvos estratégicos na Crimeia, como o aeroporto de Simferopol, um posto da Guarda de Fronteiras em Sebastopol e uma base antimísseis da Força Aérea da Ucrânia. Ao mesmo tempo, um navio de desembarque russo da classe "Zubr", capaz de transportar fuzileiros navais e blindados pesados, entrou hoje, sem identificação, no porto comercial de Feodosia, onde permanece atracado, segundo a imprensa local dessa cidade da Crimeia. Sete helicópteros de combate e oito caças violaram ontem o espaço aéreo da Ucrânia, assim como uma coluna de dez veículos blindados de transporte russos entrou em Simferopol. A Guarda de Fronteiras da Ucrânia declarou que seus navios foram mandados para o mar aberto em estado de alerta de combate para proteger alvos militares ucranianos. EFE bk-aep/rpr (foto)

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