Últimos líderes importantes do Khmer Vermelho negam participação nos "campos da morte"
Internacional|Do R7
Por Prak Chan Thul
PHNOM PENH , 31 Out (Reuters) - Pode ter sido a última vez que os cambojanos escutaram as palavras dos homens idosos que os promotores dizem ter sido os mais culpados pela matança e sofrimento de milhões de pessoas nos "campos da morte", durante o regime do Khmer Vermelho, nos anos 1970.
Não houve apelos de última hora pelo perdão aos dois réus, os principais assessores do falecido líder do Khmer Vermelho, Pol Pot, os quais alegaram inocência diante de uma corte apoiada pela Organização das Nações Unidas que espera fazer justiça antes de os acusados morrerem, ou antes que os recursos de doadores se esgotem.
O "Irmão Número 2" Nuon Chea, 87, e o ex-presidente Khieu Samphan não demonstraram nenhuma emoção nesta quinta-feira quando fizeram declarações ao povo que são acusados de terem traído quando governaram, de 1975 a 1979, época em que o Camboja foi transformado virtualmente em um campo de trabalho escravo no qual cerca de 2,2 milhões de pessoas morreram de fome, doenças e tortura, ou por execução.
Khieu Samphan, 81, insistiu que era um líder sem poder, e que não tomou nenhuma medida que resultasse em atrocidades. Ele disse estar pagando o preço por ter sido próximo de Pol Pot.
"Por presumirem que eu sou um monstro... vocês parecem acreditar que eu seja culpado. Todos vocês acreditam que eu deveria ter previsto o que aconteceria", disse ele, com os olhos fixos numa folha de papel diante de si.
"Até hoje, todo mundo quer somente uma coisa de mim: minha confissão de culpa de crimes que eu nunca cometi, absolutamente. Tudo o que eu fiz foi para proteger o fraco, confirmar o respeito por direitos fundamentais e construir um Camboja que fosse forte, independente e pacífico", afirmou.
Nuon Chea e Khieu Samphan são os dois únicos réus no complexo caso 002, que inicialmente tinha quatro acusados de crimes contra a humanidade e genocídio, entre outros.
O ex-chanceler Ieng Sary -- educado na França, como Pol Pot, Khieu Samphan e outros líderes comunistas cambojanos-- morreu este ano e sua mulher, a ex-ministra de Assuntos Sociais Ieng Thirith, está com Alzheimer e considerada sem condições de ir a julgamento.
Os dois podem pegar a pena máxima de prisão perpétua.











