Logo R7.com
RecordPlus

Vice-presidente da Argentina depõe na Justiça e nega acusações de corrupção

Internacional|Do R7

  • Google News

(Atualiza com novas informações e declarações). Buenos Aires, 9 jun (EFE).- Recebido por centenas de militantes kirchneristas, o vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, defendeu nesta segunda-feira sua inocência antes de prestar depoimento como acusado de envolvimento em um caso de corrupção que pode destruir sua carreira política. Acusado de supostas negociações incompatíveis com a função pública, Boudou se transformou no primeiro vice-presidente argentino em atividade a comparecer como acusado perante a Justiça. Amado Boudou, que em sua condição de vice-presidente do governo é também titular do Senado, chegou ao Tribunal para ser indagado pelo juiz Ariel Lijo na causa que investiga a suposta compra ilegal de uma empresa que imprime papel-moeda para o Estado quando era ministro da Economia (2009-2010). O auto de citação do juiz o acusa de ter comprado, através de testas-de-ferro e junto ao empresário José María Núñez Carmona, aparentemente seu amigo, a empresa Ciccone Calcográfica, que tinha contratos com o Estado. O vice-presidente, que atribuiu as acusações a uma campanha orquestrada por meios de comunicação opostos ao governo, insistiu hoje em pedir ao juiz que permitisse a gravação de seu depoimento com uma câmera e falasse ba presença de um taquígrafo do Senado no julgamento como "ato de defesa", pedido que foi rejeitado pelo magistrado. "Estou muito tranquilo. Tenho confiança em tudo o que fiz e em tudo o que vou seguir fazendo", disse Boudou aos jornalistas que o esperavam na porta de sua casa antes de se dirigir aos tribunais. O vice-presidente afirmou que espera que com seu depoimento possa "começar a revelar toda a verdade" e insistiu que não tem "nenhuma estratégia" e que "poderia não ter ido" e "ter respondido por escrito". "Tudo o que aconteceu hoje tem a ver com a análise técnico-jurídico da causa. As questões políticas eu guardei para outra instância. Vou ampliar este depoimentou", disse Boudou à imprensa ao retirar-se do tribunal. O vice-presidente comentou que na audiência fez uma exposição e depois respondeu "todas as perguntas" que tanto o juiz como o procurador Jorge di Lello quiseram fazer. "Eu hoje concluí minha declaração jurídica e informei ao juiz que vou pedir para ampliar meu depoimento, quando consideramos conveniente, mas vai ser logo", assegurou Boudou. Em frente ao tribunal, centenas de militantes kirchneristas, em sua maioria conduzidos por agrupamentos governistas de municípios próximos a Buenos Aires, esperavam sua chegada com cartazes com mensagens como "Força, Amado" e inclusive um telão onde foram projetadas declarações de Boudou a meios de comunicação próximos ao governo. "Pessoalmente acredito na inocência do vice-presidente, mas antes de tudo viemos apoiar a independência da Justiça", declarou à Agência Efe Emmanuel Tusinski. Já Rodrigo Claramonte se apresentou nas portas dos tribunais para apoiar o vice-presidente "independentemente do processo judicial" frente à "manipulação dos meios de comunicação que tentam guiar a opinião pública". "Isto vai servir para provar que ele realmente é inocente e que foi infelizmente uma operação política", comentou à Efe Gabriel Corizzo, que se identificou como militante do projeto kirchnerista. O chefe de Gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, se referiu hoje ao caso para pedir que seja respeitado "o devido processo" judicial. "Muitas vezes a mídia gera pré-julgamentos, julgamentos, julgamentos sumaríssimos, condenações e sentenças. Isso não é apropriado em um sistema republicano ", ressaltou Capitanich em sua entrevista coletiva diária. Boudou, de 51 anos, deixou a pasta de Economia após as eleições de 2011 para ocupar a vice-presidência, mas as denúncias por seu envolvimento em escândalos de corrupção ofuscaram sua carreira e fizeram com que a presidente Cristina Kirchner o colocasse em um discreto segundo plano. EFE ajs-ngp/rsd (foto) (vídeo)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.