Vítimas de tiroteios pedem mais controle de armas após massacre de Washington
Internacional|Do R7
Raquel Godos. Washington, 19 set (EFE).- Vítimas dos tiroteios de Tucson, no Arizona, Newtown, em Connecticut, e Aurora, Colorado se reuniram nesta quinta-feira no Capitólio para pedir, mais uma vez, uma legislação "de bom senso" que reduza a violência armada nos Estados Unidos, desta vez depois do massacre ocorrido segunda-feira na capital. Sob o lema "Sem mais nomes", mais de uma centena de pessoas se reuniram na entrada do Congresso dos Estados Unidos para pressionar os legisladores pela aprovação de uma lei que no mínimo endureça as revisões de antecedentes penais e médicos para os compradores de armas. "Já se passaram 280 dias desde que perdi Vicky", relatou Carlee, a irmã de Victoria Soto, uma das professoras assassinadas no tiroteio que aconteceu na Escola Elementar de Sandy Hook de Newtown, em dezembro. "E desde então, milhares e milhares de pessoas morreram por culpa da violência armada. A revisão de antecedentes não parará os tiroteios, mas salvará vidas. Não vou renunciar a esta luta para parar a violência armada, não perderei a esperança de um amanhã melhor, e não importa quanto tempo isso me tome" desabafou, contendo as lágrimas. Victoria Soto, de origem porto-riquenha e considerada uma das heroínas do massacre de Newtown por ter conseguido salvar a vida de seus alunos, viu morrerem 20 crianças e seis adultos da escola. Esse massacre provocou um debate intenso sobre a modificação das leis relativas ao controle de armas, impulsionado pelo presidente americano, Barack Obama. "Crimes como os de Newtown abrem os olhos de nosso país para ver que temos um sério problema com as armas nos Estados Unidos. 33 americanos são assassinados todos os dias por armas de fogo. É hora de nossos políticos em Washington tomarem medidas para deter esta sangria", enfatizou Soto. A tentativa morreu nos corredores do Congresso, até agora, com o massacre nas instalações da Marinha em Washington DC, quando voltou a ser tema de discussão na capital americana. "Cada vez que uma destas tragédias acontece, nos comprometemos a dar fim à epidemia de violência armada que sofre nosso país", disse Stephen Barton, sobrevivente do massacre do cinema de Aurora ano passado, que deixou 12 pessoas mortos. "Passou mais de um ano desde o tiroteio de Aurora, e nesse tempo vimos comunidades de todo o país sacudidas por tragédias similares. Hoje nos unimos no Capitólio para perguntar aos nossos legisladores quantas pessoas inocentes ainda precisam morrer para que finalmente tomem medidas", cobrou Barton. Uma nova pesquisa publicada ontem pela organização "Prefeitos Contra as Armas Ilegais" mostrou que milhares de pessoas que são proibidas de comprar de armas de fogo sob a lei federal utilizam a internet para burlar os controles de antecedentes e conseguem adquiri-las ilegalmente. Alguns familiares de vítimas da violência armada e vários congressistas democratas reivindicaram a necessidade de o Congresso debater o assunto. Durante uma entrevista coletiva, o líder da minoria democrata da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, lamentou a sequência de ataques recentes, e sugeriu que uma forma de honrar as vítimas é "um dia de ação" em que o Congresso aprove uma medida para o controle das armas. "Não precisamos de um momento de silêncio (no Capitólio). Precisamos de um dia de ação", afirmou Pelosi, ao lembrar que uma proposta do democrata da Califórnia, Mike Thompson, já conta com "mais de 180 apoiadores" dos dois partidos. Na segunda-feira, o suposto autor do massacre, Aaron Alexis, entrou com um passe legal no complexo militar, e armado com uma escopeta abriu fogo quem estava no local. Ele conseguiu matar 12 pessoas antes de ser abatido pela polícia. Os motivos pelos quais o ex-reservista e contratista das Forças Armadas executou o massacre ainda são desconhecidos, mas as autoridades já confirmaram que o jovem, de 34 anos, tinha problemas mentais e antecedentes na justiça. Mesmo assim ele pôde entrar legalmente nas instalações, o que obrigou as autoridades militares a decretar uma revisão geral dos procedimentos de segurança. EFE rg/cd (foto) (vídeo)












