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Zimbábue realiza referendo constitucional após 12 anos em crise

Internacional|Do R7

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Oliver Matthews. Harare, 15 mar (EFE).- A população do Zimbábue está convocada para participar, amanhã, de um referendo constitucional em um país que vive uma crise política e econômica há pelo menos 12 anos. A minuta da Constituição, que demorou quatro anos para ser redigida e na qual foram investidos R$ 127 milhões, conta com uma redução gradual dos poderes executivos do presidente do país. No entanto, a nova Carta Magna permite ao atual chefe de Estado, Robert Mugabe, de 89 anos, continuar à frente do Zimbábue por mais dez anos se ganhar as próximas duas eleições. Além disso, garante pela primeira vez a igualdade de direitos para as mulheres, e exige que os chefes de segurança do país sejam politicamente imparciais. Os zimbabuanos poderão comparecer, entre as 7h e 19h locais (2h e 15h de Brasília), a cerca de 9.500 colégios eleitorais nas dez províncias que formam o país. Embora os políticos locais chamem insistentemente os cidadãos para que exerçam seu direito ao voto neste referendo constitucional, as pesquisas calculam que a participação será reduzida, de cerca de 35%. Ao contrário das eleições gerais, os eleitores amanhã deverão mostrar apenas seu documento de identidade para comprovar que são cidadãos zimbabuanos, mas seu nome não irá constar no registro eleitoral, formado por mais de 5,5 milhões de pessoas. Tanto a União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, quanto o Movimento para a Mudança Democrática (MDC) - os dois partidos rivais que formaram o atual governo de unidade em 2009 - pediram aos cidadãos que apoiassem a nova Constituição, que tem 172 páginas. A adoção de uma nova Carta Magna era uma das condições indispensáveis do acordo pelo qual foi formado o governo de unidade em 2009, como passo prévio para a realização das próximas eleições, previstas para o mês de julho, mas ainda sem data fixa. O governo de coalizão foi formado após eleições polêmicas realizadas em 2008, nas quais morreram pelo menos 200 seguidores do então partido opositor, o MDC, liderado por Morgan Tsvangirai, agora primeiro-ministro do Zimbábue. O último referendo constitucional realizado no Zimbábue aconteceu no ano de 2000, apesar de ter sido rejeitado. A Constituição permitia a Mugabe embargar todas as fazendas do país em mãos de cidadãos de raça branca sem oferecer nenhum tipo de compensação. No entanto, poucos dias depois do referendo constitucional, os veteranos da guerra de independência do Zimbábue começaram a invadir os terrenos que eram de propriedade dos brancos, e Mugabe aplicou sua medida apesar da rejeição da nova Carta Magna. Embora os dois principais partidos políticos apoiem a minuta da Constituição, a associação local Assembleia Nacional Constitucional não apoia o documento, já que, segundo afirma, continua dando muitos poderes ao presidente do país. Outros especialistas, como o investigador zimbabuano Brian Raftopoulos, dizem que esta nova Constituição deveria receber o apoio do povo. "Acho que esta nova Constituição, embora tenha seus problemas e precise de certos compromissos, é um passo adiante. O principal desafio será colocá-la em prática", afirmou Raftopoulos à Agência Efe. A ativista Jenni Williams, membro do grupo "Mulheres do Zimbábue Levantem", que pediu aos seus 85 mil membros a votar a favor do "sim", acredita que o país tenha interesse neste referendo constitucional. "As pessoas estão interessadas porque lhes afeta de alguma maneira ou outra. Sempre houve um forte interesse nos processos constitucionais", explicou Williams. Espera-se que os resultados do referendo sejam publicados nos próximos cinco dias. EFE rt/jt/id

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