Crianças mortas em incêndio na Grande BH são enterradas
Registros policiais mostram que suspeito de ter causado incêndio ameaçou "matar toda a família" caso mulher pedisse separação
Minas Gerais|Enzo Menezes e Maria Paula Monteiro, da RecordTV Minas

Foram enterrados na manhã deste sábado (25), no Cemitério Municipal do Tijuco, em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, a adolescente e as duas crianças que morreram em um incêndio dentro da própria casa na última quinta-feira (23). A mãe, que estava internada no hospital municipal de Esmeraldas teve alta e acompanhou o enterro dos filhos.
Uma adolescente de 15 anos e duas crianças - uma recém-nascida de dois meses e outra de 5 anos - morreram no incêndio, assim como o pai delas, suspeito de ter incendiado a casa. A mulher teria saído de casa para pagar uma conta e não estava no local.
A RecordTV apurou que, em outubro do ano passado, ele ameaçou matar toda a família caso a ex-companheira terminasse o relacionamento. Eles estavam em processo de separação.
No dia 7 de outubro de 2020, a mulher procurou a Delegacia de Polícia Civil de Esmeraldas pedindo medida protetiva contra o homem após uma ameaça. Ele teria dito que, caso ela deixasse a casa com as crianças "sairiam quatro cadáveres de dentro daquela casa", pois ele mataria todo mundo e cometeria suicídio.
À época, a mulher relatou aos policiais que eles estavam separados havia 10 dias e que ela estaria vivendo na casa de conhecidos por medo de que ele fizesse alguma coisa contra a família. Ela também relatou que o suspeito era agressivo e ciumento, a agredia, fazia tortura psicológica, intimidações e descontava nos animais domésticos da casa.
Uma semana depois de a mulher procurar a polícia, a equipe do Serviço de Prevenção à Violência Doméstica da Polícia Militar foi até a casa dela, que relatou, novamente, que já havia sofrido agressões mas que a ameaça contra a família tornou a situação ainda mais grave.
Ela também contou que o ex-companheiro tinha transtornos depressivos, falava em suicídio e que, no dia 11 de outubro de 2020, ele teria feito uso de altas doses de medicamentos e chegou a deixar um bilhete. Ele foi socorrido por vizinhos.
Dez dias depois desse fato, a PM notificou o homem por violência doméstica e que ele poderia ser preso ou monitorado por tornozeleira. Na ocasião, ele teria informado aos policiais que não foi intimado, mas que estaria procurando evitar a ex. Constam nos registros, que a polícia ainda tentou contato com ele outras duas vezes, ainda no ano passado, para dar orientações, e que procurou a mulher também duas vezes, mas ela não foi localizada.
Investigação
De acordo com a Polícia Civil, uma investigação sobre o incêndio foi aberta nesta quinta-feira (23). A perícia técnica esteve no local.
Em nota, a PC disse, ainda, que não descarta nenhuma hipótese para o incêndio, inclusive o de acidente, mas que trabalha, inicialmente, com a hipótese de suicídio "e o consequente atingimento dos menores ou mesmo a agressão daquele contra os menores e, posteriormente, o seu suicídio".
O que se sabe sobre o incêndio?
Até o momento, o que se sabe é que quatro pessoas morreram no incêndio que atingiu uma casa no bairro Tijuco, em Esmeraldas, no fim da tarde desta quinta-feira (23). No local, foram identificados os corpos de um adulto de 43 anos (que seria o suspeito de ter praticado o incêndio), um recém-nascido e uma menina de cinco anos.
Uma adolescente de 15 anos foi levada, de helicóptero para o Hospital João 23, em Belo Horizonte, referência no atendimento de queimados, com 90% do corpo queimado. A morte da jovem foi confirmada nesta sexta-feira (24).















