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Advocacia enfrenta mercado competitivo, avanços tecnológicos e grades curriculares defasadas  

Brasil é o país com maior número de advogados por habitante, segundo dados da OAB  

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

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Tema foi debatido na 24ª Conferência Nacional da Advocacia
Tema foi debatido na 24ª Conferência Nacional da Advocacia

A inteligência artificial vai acabar com o exercício da advocacia? Os especialistas na área de Direito acreditam que não, mas reconhecem que a profissão tem encontrado dificuldades em se adaptar aos avanços tecnológicos.

Um mercado altamente competitivo, profissionais que não sabem usar das ferramentas ao seu favor e grade curriculares defasadas são alguns desses desafios. O tema foi debatido durante a 24ª Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, nesta terça-feira (28), em Belo Horizonte. 


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Atualmente, o Brasil tem o maior número de advogados por habitante do mundo; a cada cidadão brasileiro, há 164 profissionais de advocacia no país. O dado é da Ordem de Advogados do Brasil (OAB). Cerca de 120 mil brasileiros fazem a prova da Ordem anualmente. O mercado de trabalho cada vez mais competitivo requer profissionais que consigam se destacar.

Para Danniel Alves Costas, Presidente da OAB de Sergipe, a qualificação técnica não é mais um diferencial de competitividade no mercado, ou já não é mais o único. Hoje, o cliente valoriza cada vez mais o resultado. “A gente compra o carro do ano e se decepciona. Por que na advocacia isso seria diferente? O que o cliente quer é resultado”, disse durante o painel. 


E para Costas, a incorporação de tecnologias pode contribuir para a obtenção de resultados positivos. O especialista indica, por exemplo, o uso de softwares de gestão jurídica que armazenem e sistematizem informações relacionadas à gestão do escritório. Além disso, ele também acredita que inteligências artificias, como ChatGPT, podem ajudar em comunicações mais simples com clientes contribuindo para oferecer respostas mais rápidas. 

“O tempo é muito valioso na nossa profissão. As ferramentas tecnológicas devem ser utilizar para administrar melhor o nosso tempo”, disse Costas, que ainda reforçou que o profissional que não aceitar que a advocacia mudou, ficará para trás. 

Enquanto os profissionais do mercado tentam se adaptar às mudanças, espera-se que os futuros profissionais já estejam mais bem familiarizados com elas, mas não é assim que o cenário brasileiro se encontra. Segundo Helena Paschoal membro da Comissão Nacional de Educação Jurídica, as grades curriculares dos cursos de direito ainda estão defasadas. 

O órgão é responsável por analisar pedidos de abertura de novos cursos de direito no país. “Chegam 40 a 80 processos por mês para análise de novos cursos de direito. Todos têm um olhar retrovisor, nenhum deles conseguiu contextualizar o futuro. As grades curriculares são ultrapassadas e sem novidades”, ressaltou durante o painel. 

A especialista detalha que muitos dos projetos para criação de novos cursos mantém “salas de aulas do século XV”, projetos analógicos para um mundo cada vez mais digital. Paschoal reforça que não há um manual do futuro, mas que com uma advocacia cada vez mais tecnológica, o grande diferencial será o profissional humano. 

“Não podemos ter advogados como tábuas rasas. O acadêmico que está entrando agora é o nosso colega do futuro. Precisamos de pessoas com um senso de humanidade”, disse. 

Essa também é a opinião Harrison Targino, Presidente da OAB de Paraíba, que reforçou que os profissionais precisam estar com os olhares atentos para refletir e aprender com o presente. “Toda perspectiva que fala da extinção da advocacia tende ao fracasso. A advocacia não irá apagar, mas ela será reescrita. O advogado nunca será extinto. O juiz robô faz com mais rapidez, mas não consegue valorizar casos mais complexos. 

Para o especialista, o diferencial do ser humano é sua capacidade “de encontrar valores para vivemos juntos e mais fortes“.

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