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Guarda municipal de BH que venceu torneio mundial de Jiu-Jitsu nos EUA conta como virou atleta

Apaixonado pelo esporte, Marcelo Crispim fez rifa e contou com ajuda de amigos para participar da competição internacional 

Minas Gerais|Arnon Gonçalves*, do R7

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Marcelo
venceu em duas categorias do torneio
Marcelo venceu em duas categorias do torneio

Marcelo Crispim, professor de história e integrante da Guarda Municipal de Belo Horizonte, fez da paixão e do esforço a motivação que precisava para conquistar dois títulos no Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu, que aconteceu em Las Vegas, nos Estados Unidos, no último domingo (03). 

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O campeonato é organizado pela Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro (IBJJF). A competição, considerada uma das mais importantes desta modalidade de esporte, começou no Brasil e foi transferida para os EUA na década de 90. 


Para Marcelo, participar da edição do torneio em Las Vegas foi uma experiência única. O atleta venceu nas categorias pesadíssimo e absoluto (sem limite de peso). “É um sonho para qualquer atleta que pratica Jiu-Jitsu. Principalmente para quem ainda está no início, descobrindo a dimensão desses campeonatos. Lá vão os grandes atletas”, diz o guarda.

Este foi o primeiro campeonato internacional do guarda civil, que disse ter enfrentado alguns desafios para conseguir participar: “o problema é a questão econômica. É caro sair para fora, eu tive que vender rifas. Primeiro o pessoal da academia começou com essa iniciativa das rifas e depois o pessoal da Guarda entrou junto para ajudar”.


Paixão inesperada

Marcelo se apaixonou pelo Jiu-Jitsu
Marcelo se apaixonou pelo Jiu-Jitsu

Para quem pensa que toda a habilidade de Marcelo com esporte vem desde a infância, se engana. Segundo ele, a paixão pelo Jiu-Jitsu começou em 2017, quando já estava na Guarda Municipal de BH. Na corporação há um projeto voltado para ensinar o esporte aos guardas que aliam o treino com a necessidade de fazer atividades físicas. 


Atualmente, a Guarda Civil Municipal da capital mineira conta com 637 agentes que praticam regurlamente o esporte. Entre eles, 37 já são faixas pretas. 

“O pessoal lá me incentivava a participar, praticar esportes, até que entrei no projeto. Pensei ‘vou fazer uma aula e ver o que dá’. Eu nem sabia como era o Jiu-Jitsu, pensava que era bem diferente, só uma luta. Mas quando vi que havia técnica e estratégias, fiquei apaixonado”, explica o guarda.

Ao perceber que o interesse no esporte estava aumentando, Marcelo decidiu dar mais um passo e entrou para uma academia especializada em Jiu-Jitsu. Ele conta que o treino com o seu mestre, Caio Gregorio, que além de professor desenvolve um projeto social na Grande BH voltado para esta modalidade, foi essencial para a recente conquista.

Desde o primeiro dia que pisou no tatame, Marcelo já sonhava alto. “Eu falava com as pessoas: um dia vou ser campeão mundial. E durante esses últimos 6 anos, eu treinava pensando nisso”, conta o atleta.

Após o prêmio, Marcelo faz questão de exaltar o apoio que recebeu na Guarda: “É muito simbólica essa conquista, porque ela envolve o meu início no Jiu-Jitsu ainda na guarda e tudo que ela representa na minha vida”. O professor também é grato pelo apoio que recebeu de amigos e familiares tanto para continuar com os treinos quanto para fazer a viagem até Las Vegas.

Rotina corrida

Além de praticar Jiu-Jitsu e participar de torneios, Marcelo ainda precisa dividir o tempo com a profissão de Guarda Municipal e professor de uma escola estadual de BH. “É uma correria danada o meu dia”, conta. 

O atleta pega serviço à noite na Guarda e vai até a manhã do outro dia. Descansa um pouco, acorda e vai para o treino de Jiu-Jitsu. Depois passa a tarde em uma escola estadual, onde dá aula de história.

Marcelo se diz orgulhoso pelo esforço ter sido recompensado com a conquista no torneio, mas não pretende parar por aí. O atleta, que é faixa marrom no esporte, deseja conquistar a faixa preta, uma das mais almejadas do Jiu-Jitsu.

Além disso, um dos objetivos de Marcelo é ensinar o esporte para crianças e adolescentes por meio de projetos sociais. Ele acredita que as habilidades aprendidas no Jiu-Jitsu podem mudar a vida dessas pessoas, assim como fez com a dele.

*Estagiário sob supervisão de Maria Luiza Reis

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