Justiça suspende indiciamento de 4 suspeitas de candidaturas laranjas

Defesa alegou que ex-candidatas do PSL em Minas Gerais teriam sido prejudicadas durante as investigações da Polícia Federal sobre o caso

Ex-candidatas tinham sido indiciadas pela PF

Ex-candidatas tinham sido indiciadas pela PF

Reprodução / TSE

O TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais) suspendeu, nesta segunda-feira (11), o indiciamento feito pela PF (Polícia Federal) contra quatro mulheres suspeitas de participar de um suposto esquema de candidaturas laranja do PSL Minas Gerais, nas eleições de 2018.

A decisão atendeu um pedido de habeas corpus feito pela defesa de Débora Gomes da Silveira, Camila Fernandes Rosa, Naftali Tamar da Oliveira e Lilian Bernardino da Almeida.

A Polícia Federal indiciou as quatro mulheres e outras sete pessoas, no dia quatro de outubro deste ano, por suspeita de participação no esquema. Entre os indiciados, também está o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que afirmou que confia na Justiça para comprovar a sua inocência.

As investigações da PF apontaram que algumas candidaturas de mulheres pela legenda teriam sido de fachada e o dinheiro do fundo partidário destinado às campanhas delas teria sido gasto, na verdade, nas campanhas de candidatos homens.

A advogada Fernanda Lage Martins da Costa explicou ao R7 que ao pedir a suspensão do indiciamento, alegou que suas clientes são inocentes e teriam sido prejudicadas na investigação, ao ficarem em silêncio na segunda vez em que foram convocadas para prestar depoimento sobre o caso.

Segundo a defensora, na primeira vez que foram chamadas, as suspeitas prestaram todos os esclarecimentos necessários. Contudo, da segunda vez elas teriam sido convocadas em cima da hora e se sentiram coagidas, preferindo manter o silêncio.

— O delegado, por mera retaliação ao direito de permanecer em silêncio, indiciou as quatro. Elas moram no interior e tiveram que ir a Belo Horizonte prestar depoimento de última hora. As quatro se sentiram coagidas e afirmaram que já haviam falado tudo que tinham para dizer sobre o assunto. O delegado chegou a dizer que elas pareciam ser vítimas, mas que deveriam ser indiciadas por não terem falado.

O R7 procurou a PF para comentar as alegações apresentadas no habeas corpus, mas ainda aguarda retorno. A reportagem também fez contato com o PSL mineiro para comentar o caso, mas ainda não teve resposta.

Trâmites

Apesar de o TRE decidir anular o indiciamento, a denúncia feita pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) contra os supostos envolvidos ainda aguarda análise da Justiça. Com a decisão da Justiça Eleitoral, a defesa de Débora, Camila, Naftali e Lilian espera que elas não se tornem rés na ação.

De acordo com o Tribunal, o processo segue em segredo de Justiça e agora volta a tramitar na primeira instância, na 26ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte.

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