BMW perde força na China e vê marcas locais avançarem entre consumidores de luxo
Cenário de crise é enfrentado também pela Porsche e Mercedes Benz; crise imobiliária chinesa explica cenário

A BMW enfrenta um dos momentos mais desafiadores de sua história recente no maior mercado automotivo do mundo. A fabricante alemã registrou queda de 4,9% nas entregas globais no segundo trimestre de 2026, para 590.962 veículos, mas o principal impacto veio da China, onde as vendas despencaram 30,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.
BMW M4 estacionado em SP
Marcos Camargo Jr. 02.07.2026
O cenário não é exclusivo da BMW. Mercedes-Benz também anunciou retração de 8% nas vendas globais de automóveis no segundo trimestre, igualmente pressionada por uma queda de cerca de 30% no mercado chinês. Já a Porsche vive uma situação ainda mais delicada, com recuo superior a 40% nas entregas na China entre abril e junho.

O que durante décadas foi o principal mercado para as marcas premium europeias agora se transforma em um dos maiores desafios para esses fabricantes.

Crise imobiliária mudou o perfil do consumidorEspecialistas apontam que a desaceleração da economia chinesa, impulsionada principalmente pela prolongada crise do setor imobiliário, reduziu a riqueza de parte da população de maior renda. Com imóveis desvalorizados e menor confiança para consumir, muitos compradores passaram a adiar aquisições de alto valor, como veículos importados de luxo.

Ao mesmo tempo, o consumidor chinês de maior poder aquisitivo deixou de enxergar as marcas europeias como única referência em sofisticação e tecnologia.

Luxo só para locais como Nio, Onvo, Li Auto e ZeekrNos últimos anos, fabricantes locais elevaram significativamente o padrão de seus produtos. Marcas como Nio, Yangwang (BYD), Zeekr, Li Auto, Aito, Hongqi e IM Motors passaram a disputar diretamente clientes de BMW, Mercedes-Benz, Audi e Porsche.
Zeekr X
Além de oferecerem desempenho elevado e níveis avançados de conectividade, esses modelos contam com softwares desenvolvidos especificamente para o consumidor chinês, assistentes de inteligência artificial mais sofisticados, atualizações remotas frequentes e integração completa ao ecossistema digital local.

Outro diferencial está no preço. Mesmo com acabamento refinado e equipamentos equivalentes ou superiores aos rivais alemães, muitos desses veículos custam menos, tornando a concorrência ainda mais difícil para as fabricantes tradicionais.

Tecnologia pesa mais que tradiçãoA transformação também revela uma mudança cultural. Durante muitos anos, possuir um BMW Série 5, um Mercedes Classe E ou um Porsche representava status social na China. Hoje, uma parcela crescente dos consumidores prefere veículos nacionais considerados mais inovadores.
BMW X3 xDrive30
A rapidez com que as montadoras chinesas renovam seus produtos também supera o ciclo tradicional das marcas europeias. Enquanto fabricantes locais lançam atualizações de software e novos modelos em intervalos cada vez menores, BMW, Mercedes-Benz e Porsche enfrentam estruturas globais mais complexas, que tornam esse processo mais lento.
Europa e Estados Unidos amenizam perdasApesar do forte recuo na China, a BMW conseguiu compensar parcialmente o resultado com crescimento em outras regiões. As vendas aumentaram nos Estados Unidos e também em diversos mercados europeus, mostrando que a marca mantém boa demanda fora da Ásia. Ainda assim, o peso do mercado chinês continua sendo determinante para os resultados financeiros do grupo.
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