BYD pode usar parte de fábrica histórica da Volkswagen na Alemanha
Fábrica de vidro em Dresden pode abrir espaço para grupo chinês

A possível entrada da BYD em uma fábrica da Volkswagen na Alemanha ganhou força e expõe um cenário de mudança na indústria automotiva europeia. A negociação envolve a unidade de Dresden, conhecida como “Gläserne Manufaktur”, que deixou de produzir o Volkswagen ID.3 no fim de 2025.

A Volkswagen não confirma mas o próprio CEO Oliver Blume já havia dito há um mês que fábricas ociosas poderiam abrir espaço para “parceiros” chineses. Agora a Reuters apurou que a própria VW estaria em negociação com a BYD. O CEO da empresa na China, Ralf Brandstätter, não emitiu nenhum comunicado.

A fábrica de Dresden foi a última inaugurada pelo grupo na Alemanha. Funciona desde 2002 e foi a planta de modelos como Golf e e-Golf, Phaeton, briefly e montagem do Bentley Flying Spurs.
O que prevê o suposto acordo?
O plano segundo a apuração da Reuters prevê o uso parcial da planta para produção de veículos elétricos da BYD, enquanto o restante seguiria como polo tecnológico.

A possível parceria reflete um problema estrutural: excesso de capacidade na Europa. Com demanda abaixo do esperado para elétricos, a Volkswagen busca alternativas para rentabilizar suas fábricas — incluindo dividir espaço com concorrentes.
Estratégia da BYD na Europa
Para a BYD, produzir localmente é estratégico. A marca já constrói fábrica na Hungria apesar dos sucessivos atrasos para a inauguração e tenta reduzir o impacto de tarifas da União Europeia, que podem superar 30% para elétricos importados. Produzir na Alemanha reduz custos e fortalece a imagem da marca no continente.

Pressão chinesa sobre europeus
O avanço chinês acelera essa mudança. A BYD já superou a Volkswagen em vendas na China e amplia presença global, enquanto a montadora alemã enfrenta queda de participação e margens pressionadas. Grupos como a MG-SAIC avaliam a produção na Alemanha enquanto a Chery planeja produzir os Omoda & Jaecoo no mesmo país. A Leapmotor tem o mesmo plano assim como Nio, Changan, GWM (linha Ora) e a própria Geely já estabelecida com Volvo e Polestar além da Lotus.
Se confirmada, a operação em Dresden pode marcar um novo capítulo: montadoras chinesas usando infraestrutura europeia para ganhar escala — e redefinindo o equilíbrio da indústria global.
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