Garantia das baterias é preocupação? Marcas chinesas ampliam cobertura dos elétricos
Nova legislação obriga fabricantes a elevar nível de qualidade das baterias além dos níveis de cobertura

A rápida evolução das baterias para veículos elétricos está mudando uma das principais preocupações dos consumidores: a durabilidade do conjunto de alta tensão. Depois de anos oferecendo garantias de oito anos ou 160 mil quilômetros, diversas fabricantes chinesas passaram a ampliar a cobertura, impulsionadas tanto pela evolução tecnológica quanto por regras de segurança mais rigorosas adotadas pelo governo chinês.
GAC HYPTECH
A mudança mais recente veio da Chery, que anunciou garantia vitalícia (“lifetime”) para a bateria Rhino em todos os seus veículos eletrificados vendidos na China — incluindo elétricos, híbridos plug-in e modelos de autonomia estendida.

A cobertura vale para o primeiro proprietário e também inclui motor elétrico e unidade de controle eletrônico. A medida foi anunciada justamente na entrada em vigor da nova norma chinesa GB 38031-2025, considerada a mais rigorosa do mundo para baterias automotivas.

Nova legislação elevou o padrão de segurança
A nova regulamentação chinesa passou a estabelecer requisitos mínimos para evitar incêndios em caso de falha térmica das baterias.

Entre as principais exigências estão:
* ausência de incêndio ou explosão por pelo menos duas horas após um evento de fuga térmica;
* fumaça não pode invadir o habitáculo nos cinco minutos seguintes ao alerta do sistema;
* resistência a impactos de uma esfera de aço de 30 mm lançada com energia de 150 joules;
* manutenção da integridade estrutural mesmo após 300 ciclos consecutivos de recarga rápida.

Na prática, as montadoras precisaram desenvolver baterias muito mais resistentes antes mesmo de pensar em aumentar o período de garantia.

As fabricantes chinesas afirmam que a degradação das baterias caiu significativamente graças a novas químicas, sistemas eletrônicos mais sofisticados e gerenciamento térmico mais eficiente.

Entre as principais evoluções estão as novas células LFP (fosfato de ferro-lítio) de maior densidade energética, adoção crescente de químicas LMFP, que aumentam autonomia mantendo alta segurança e gerenciamento térmico com refrigeração líquida mais eficiente, softwares de gerenciamento (BMS) capazes de equilibrar continuamente cada célula e estruturas Cell-to-Body (CTB) e Cell-to-Chassis, que tornam o conjunto mais rígido e protegido.

Esses avanços reduziram a degradação natural das baterias e aumentaram a confiança das fabricantes para oferecer coberturas muito superiores às praticadas há poucos anos.

Chery aposta na bateria Rhino
A nova bateria Rhino tornou-se a principal vitrine tecnológica da Chery. Segundo a fabricante, além de atender integralmente à nova legislação chinesa, a bateria suporta impactos severos, apresenta elevada resistência à fuga térmica e foi desenvolvida para minimizar riscos de incêndio mesmo em situações extremas.

Como demonstração de confiança, a empresa informou que substituirá o veículo por outro equivalente caso ocorra uma falha causada pela bateria, desde que não exista interferência externa ou uso inadequado do sistema.
Bancos do BYD Dolphin SE
Marcos Camargo Jr 02.06.2026
BYD também elevou o nível das baterias
Outra fabricante que reforçou sua estratégia foi a BYD. A segunda geração da Blade Battery trouxe aumento da densidade energética, carregamento ultrarrápido de até 1.500 kW e melhorias na retenção de capacidade ao longo da vida útil.
A empresa manteve a garantia vitalícia para as células em determinados mercados e ainda elevou os índices mínimos de capacidade garantida durante os primeiros oito anos de uso, refletindo a maior confiança na durabilidade da nova tecnologia.
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