Carros elétricos estão cada vez mais visados por bandidos no Brasil; entenda o motivo
Carregadores e baterias com metais nobres atraem a atenção dos bandidos e crimes sobem mas fabricantes já oferecem soluções

O avanço da frota de carros elétricos e híbridos no Brasil trouxe uma nova preocupação para proprietários e seguradoras: o aumento dos roubos e furtos desses veículos e também da estrutura de recarga. Embora ainda representem uma pequena parcela do total de ocorrências, os eletrificados passaram a chamar a atenção das quadrilhas pelo alto valor de seus componentes, principalmente o conjunto de baterias de alta tensão e equipamentos eletrônicos embarcados. O R7-Autos Carros conversou com autoridades, fabricantes e também importadores de veículos sobre o assunto.
Bancos do BYD Dolphin SE
Marcos Camargo Jr 02.06.2026
Roubos e furtos em alta
Entre janeiro e maio de 2026, o Estado de São Paulo registrou 107 ocorrências envolvendo carros elétricos e híbridos, contra 53 no mesmo período de 2025, um crescimento de 101%, segundo levantamento da Ituran Brasil com base em dados oficiais. O aumento supera a própria expansão da frota eletrificada, que cresceu 71,7% no período, passando de 445,9 mil para 765,9 mil veículos em circulação, de acordo com a ABVE. A capital paulista concentrou 74 registros e o perfil dos crimes mudou: atualmente, 85% das ocorrências são furtos, enquanto os roubos representam apenas 15%.

No caso dos carregadores públicos os bandidos cortam e roubam os cabos que contém metais como o cobre de alto valor no mercado de reciclagem. No caso de roubos de cabos que são fundamentais para os carregadores públicos não há estatísticas oficiais. “Esse não é um problema exclusivo do Brasil mas vivemos uma situação complexa. O problema são os receptadores desses produtos e eles estimulam esse tipo de crime, diz Thiago Castilha, diretor da E-Wolf, empresa especializada em equipamentos e soluções de recarga para veículos elétricos.

O que os bandidos buscam nesse tipo de crime?
Um dos principais motivos para o interesse dos criminosos está na bateria de tração. Fabricada com materiais de alto valor agregado, como lítio, níquel, manganês, cobalto e cobre, ela pode representar entre 30% e 50% do valor total do veículo, dependendo do modelo. Além disso, trata-se do componente mais caro em uma eventual reparação, já que sua substituição pode custar dezenas ou até centenas de milhares de reais em veículos premium.

Apesar disso, especialistas destacam que retirar apenas a bateria não é uma tarefa simples. Ela pesa entre 300 e 700 kg, faz parte da estrutura do veículo e exige equipamentos específicos para remoção. Na prática, o objetivo das quadrilhas costuma ser levar o carro inteiro para desmontagem clandestina ou comercialização ilegal de peças eletrônicas e módulos de alto valor.

Cabos de carregadores públicos têm sido furtados com frequência devido à grande quantidade de cobre presente em sua composição. Em muitos casos, uma simples serra é suficiente para inutilizar um eletroposto em poucos minutos, gerando prejuízo para operadores e motoristas que dependem da rede pública de recarga. “Tivemos um caso de roubo de cabos em um condomínio que sequer havia sido entregue. Unidades vistoriadas, aguardando apenas a entrega para o uso da estrutura do condomínio. Levaram os cabos dos dois carregadores inutilizando o sistema que foi testado um dia antes”, disse Luiz Correia, síndico profissional.

O fenômeno também aparece nos indicadores das seguradoras. No Rio de Janeiro, levantamento do Sindseg-RJ/ES mostra que a frequência de roubo e furto entre elétricos e híbridos plug-in alcançou 3,85% da frota segurada, praticamente o dobro dos 2,17% observados entre veículos movidos apenas a combustão.
Solução está na rastreabilidade
A tecnologia vem ajudando fabricantes, importadores e também empresas ligadas à infraestrutura de carga a coibir roubos e furtos. No entanto, há impasses regulatórios a respeito da eletrificação. “Há regras rígidas para a instalação de um posto de combustível mas um eletroposto não. Desenvolvemos uma solução para pontos púbicos que tem somente um ponto de carga e o cliente usa seu próprio cabo para conectar à rede” explica Castilha.

No caso dos fabricantes de veículos, todas as peças tem origem certificada mas no Brasil já há um mercado paralelo de peças de reposição que não tem nenhuma origem comprovada.
Bancos do BYD Dolphin SE
Marcos Camargo Jr 02.06.2026
No marketplace do Facebook há vários anúncios de baterias e componentes à venda. Uma bateria do BYD Dolphin Mini precificada em R$ 70 mil na rede é oferecida por R$ 25 como peça usada mas sem qualquer detalhe sobre a origem.
Mesmo com a alta das ocorrências, especialistas lembram que os carros eletrificados ainda representam uma parcela pequena dos roubos e furtos registrados no país. No entanto, com a rápida expansão da frota e o elevado valor de seus componentes, a tendência é que fabricantes, seguradoras e empresas de recarga invistam cada vez mais em sistemas de rastreamento, monitoramento e proteção contra esse novo tipo de crime.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp



































