Chinesas entram de vez na elite global; Geely, BYD e Chery se destacam
Chineses já aparecem na sétima, nona e 12ª posição mas não superam Toyota, VW e Hyundai

A indústria automotiva vive uma das maiores mudanças de poder das últimas décadas. O tradicional domínio de japonesas, europeias e norte-americanas começa a dar lugar a um novo protagonista: a China.
BYD Atto 8 estacionado em rua calma de São Paulo
Marcos Camargo Jr 15.07.2026
Levantamentos publicados pela Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA) e análises de consultorias internacionais mostram que grupos como BYD, Geely, Chery e SAIC já figuram entre os maiores fabricantes do planeta em volume de vendas, consolidando uma transformação que começou com carros de baixo custo e hoje passa por tecnologia, eletrificação e expansão global.

O ranking global mais recente evidencia essa mudança. A Toyota segue na liderança mundial, seguida pelo Grupo Volkswagen e pela Hyundai-Kia. Logo atrás aparecem General Motors, Stellantis, Ford e Honda. Entretanto, as montadoras chinesas avançaram rapidamente. A BYD já ocupa posição entre as dez maiores fabricantes do mundo, impulsionada por cerca de 4,6 milhões de veículos vendidos em 2025. A Geely, dona de marcas como Volvo, Zeekr, Lynk & Co e Lotus, também integra o grupo de elite, enquanto SAIC e Chery aparecem cada vez mais próximas das líderes tradicionais, ampliando sua presença internacional.

Os números da própria CPCA ajudam a explicar esse crescimento. No primeiro semestre de 2026, a Geely liderou as vendas de automóveis de passeio na China, com 1.021.343 unidades e 11,7% de participação de mercado. A BYD ficou logo atrás, com 990.879 veículos e 11,4%. A Chery aparece na quinta posição, com 412.868 unidades, enquanto outras fabricantes chinesas, como Leapmotor, também já figuram entre as dez maiores do maior mercado automotivo do mundo. O cenário mostra que as marcas locais não apenas dominam seu mercado doméstico, mas ganharam escala suficiente para sustentar uma forte ofensiva internacional.

Outro indicador importante é que o crescimento deixou de depender apenas do mercado chinês. A BYD bateu recorde de exportações em julho de 2026 ao embarcar mais de 180 mil veículos para outros países, alta superior a 120% na comparação anual. A estratégia de expansão internacional tem compensado a desaceleração das vendas domésticas e acelerado a presença da empresa na América Latina, Europa e Sudeste Asiático.

Esse avanço tem provocado uma reação das fabricantes tradicionais. General Motors renovou recentemente sua parceria de 20 anos com a SAIC para desenvolver novos veículos eletrificados na China e transformar o país em uma plataforma de exportação. Ao mesmo tempo, executivos de empresas como Ford reconhecem que a entrada das marcas chinesas nos principais mercados globais é inevitável e que será necessário acelerar o desenvolvimento de veículos elétricos mais competitivos para enfrentar essa nova concorrência.

Na Europa, a pressão também já é evidente. Fabricantes como Stellantis e Volkswagen buscam novas alianças e até estudam utilizar fábricas ociosas para produzir modelos de empresas chinesas. Analistas apontam que o avanço de BYD, Chery, Geely e outras marcas já pressiona preços, reduz margens e acelera investimentos em eletrificação por parte das montadoras tradicionais.

O Brasil acompanha esse movimento de perto. BYD, GWM, Geely, Omoda Jaecoo, Leapmotor, Dongfeng e GAC ampliam rapidamente suas operações no país, enquanto Chery e Volvo já possuem presença consolidada. O mercado brasileiro tornou-se uma das principais portas de entrada das fabricantes chinesas na América Latina e deve receber dezenas de novos modelos até 2027, reforçando uma tendência que já alterou o equilíbrio da indústria global.
Leapmotor B10 estacionado em São Paulo
Marcos Camargo Jr 18.05.2026
Mais do que vender carros elétricos, as montadoras chinesas passaram a disputar protagonismo tecnológico, capacidade industrial e participação de mercado em escala mundial. O ranking global deixa claro que a ascensão da China não representa mais uma promessa para o futuro, mas uma realidade que já redefine a hierarquia da indústria automobilística.
Posição Grupo automotivo Vendas globais (aprox.)
1 Toyota Motor Corporation 11,3 milhões
2 Volkswagen Group 9,0 milhões
3 Hyundai Motor Group (Hyundai, Kia, Genesis) 7,3 milhões
4 Stellantis 5,7 milhões
5 General Motors 5,3 milhões
6 Ford Motor Company 4,5 milhões
7 BYD Group 4,6 milhões
8 Honda Motor 3,8 milhões
9 Geely Holding Group 3,34 milhões
10 Nissan Motor 3,3 milhões
11 Renault Group 2,9 milhões
12 Chery Holding 2,6 milhões
13 SAIC Motor 2,4 milhões
14 Suzuki Motor Corporation 2,2 milhões
15 Changan Automobile 2,0 milhões
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