Logo R7.com
RecordPlus
Autos Carros

Nova onda de marcas chinesas no segundo semestre ameaça reinado da BYD no país

BAIC, Dongfeng e montagem local de elétricos no Brasil pode baratear modelos compactos em uma guerra que já começou

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Geely EX2 verde com interior claro Marcos Camargo Jr 26.05.2026

O segundo semestre de 2026 promete marcar uma nova etapa da ofensiva das montadoras chinesas no Brasil. Depois da consolidação de BYD, GWM e Geely, o mercado se prepara para receber novas fabricantes, enquanto projetos de produção nacional começam a sair do papel.

O movimento vai aumentar a concorrência justamente no segmento de elétricos compactos, hoje liderado pelo BYD Dolphin Mini e pelo Dolphin, e pode acelerar uma nova rodada de redução de preços, nacionalização e ampliação da oferta.


Atualmente, cerca de 20 mil veículos elétricos são vendidos no país desde o começo de 2026, e várias marcas estão de olho na liderança da BYD, que detém 70% do mercado de elétricos a bateria.

Duas novas fabricantes e produção nacional na mira

Além da chegada oficial de BAIC e Dongfeng, duas das maiores fabricantes da China, o período também será marcado pelo início da montagem local de modelos estratégicos.


A MG confirmou a produção nacional no Ceará, a GAC iniciará a fabricação do Aion UT em Catalão (GO) e a Geely produzirá o EX2 no complexo industrial de São José dos Pinhais (PR), em parceria com a Renault.

O cenário é bastante diferente daquele visto há poucos anos, quando os elétricos eram praticamente um nicho. Hoje, o segmento cresce em ritmo acelerado.


Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), os veículos 100% elétricos registraram forte expansão no primeiro semestre de 2026, impulsionados principalmente pelos modelos compactos produzidos na China e pelo aumento da concorrência entre as fabricantes.

Geely na “cola” da BYD

A própria Geely tornou-se um exemplo dessa transformação. O EX2 rapidamente conquistou espaço entre os elétricos mais vendidos do país, desempenho que levou a marca a antecipar sua nacionalização.


O hatch, lançado no fim de 2025, registrou mais de 4 mil emplacamentos mensais em seu melhor momento e passou a ser considerado um dos principais rivais do BYD Dolphin e do Dolphin Mini. A aceitação do modelo foi tão acima das expectativas que a empresa decidiu produzir o veículo no Paraná ainda este ano.

A estratégia da Geely mostra como o mercado brasileiro passou a ser prioridade para as fabricantes chinesas. Em vez de depender exclusivamente da importação, várias empresas optaram por investir em produção local para reduzir custos, ganhar competitividade e minimizar os impactos do aumento gradual das alíquotas de importação sobre veículos eletrificados.

Aion UT montado na fábrica da HPE

Outro projeto relevante será o da GAC. A fabricante chinesa escolheu Catalão (GO) para iniciar a montagem do Aion UT, hatch elétrico que chega justamente para disputar consumidores que hoje olham para BYD Dolphin Mini, Dolphin e Geely EX2.

Na fábrica da HPE, que representa a Mitsubishi e Suzuki no país, a GAC vai montar modelos elétricos e híbridos. O Aion UT aposta em maior espaço interno, pacote tecnológico mais completo e produção nacional como forma de competir em uma das faixas de preço mais disputadas do mercado.

Polo nordestino

Chevrolet Spark teve ajustes de suspensão específico para o Brasil Marcos Camargo Jr. 15.02.2026

Na mesma região onde a BYD tem a fábrica de Camaçari/BA, o Nordeste, a MG também prepara sua estreia industrial. A marca do grupo SAIC iniciará a montagem de veículos no Ceará, reforçando a estratégia de expansão para a América Latina.

Embora a fabricante ainda mantenha sigilo sobre o cronograma completo de produtos nacionais, a expectativa é de que SUVs eletrificados e híbridos façam parte da primeira fase da operação.

Na mesma fábrica, a Chevrolet já monta o Spark EUV e Captiva EV, feitos na China pela SAIC (marcas Baojun e Wuling), e também entra na ofensiva com números relevantes. O Spark já vende cerca de 1.000 unidades mensais no país, usando a ampla rede da Chevrolet, com mais de 600 concessionários.

Ao mesmo tempo, duas gigantes chinesas desembarcam oficialmente no Brasil. A BAIC, um dos maiores grupos automotivos da China, chega com uma linha formada por elétricos, híbridos e SUVs, enquanto a Dongfeng prepara uma operação focada em veículos eletrificados e comerciais leves.

Ambas pretendem aproveitar o crescimento da demanda brasileira por modelos de baixa emissão e ampliar a presença das marcas chinesas fora do eixo atualmente dominado por BYD, GWM e Geely.

Na China, essas fabricantes possuem escala suficiente para sustentar uma expansão internacional agressiva. A SAIC, controladora da MG, segue entre os maiores grupos automotivos do país e uma das maiores exportadoras de veículos do mundo.

A Geely ocupa posição de destaque tanto no mercado doméstico quanto internacional, impulsionada também por marcas como Zeekr, Lynk & Co e Volvo.

A GAC figura entre os maiores conglomerados chineses, com forte atuação em veículos elétricos por meio da divisão Aion. Já BAIC e Dongfeng permanecem entre os tradicionais gigantes da indústria automotiva chinesa, produzindo milhões de veículos por ano e mantendo diversas joint ventures com fabricantes globais.

O BYD Dolphin Mini continua como a principal referência entre os elétricos de entrada, enquanto o Dolphin permanece entre os compactos mais vendidos. Mas a rápida ascensão do Geely EX2 mostrou que existe espaço para novos concorrentes capazes de desafiar essa liderança.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.