Governo inicia testes com gasolina de 35% de etanol no Brasil
Ministério de Minas e Energia coordenará estudos sobre consumo, emissões, durabilidade e compatibilidade da mistura E35

O Governo Federal autorizou o início dos testes com a gasolina E35, mistura formada por 65% de gasolina e 35% de etanol anidro. A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta semana e será conduzida pelo Ministério de Minas e Energia em parceria com órgãos reguladores, fabricantes de veículos, empresas de autopeças e instituições de pesquisa.
Farol do Hyundai i20 Ultimate
Marcos Camargo Jr. 25.08.2026
O governo vem sendo pressionado pela cotação internacional do barril do petróleo com a permanência dos conflitos internacionais. Com o combustível mais caro, a inflação pressionará a economia em vários segmentos. Como reação, a Petrobras está segurando os preços mas quer reduzir a dependência do combustível importado. Uma da saídas é adicionar ainda mais etanol a fórmula da gasolina.
A autorização não significa que a gasolina E35 começará imediatamente a ser vendida nos postos. Nesta primeira etapa, serão realizados ensaios para verificar a viabilidade técnica da mistura e seus efeitos sobre veículos, motocicletas, motores e componentes do sistema de alimentação.

Os testes deverão avaliar consumo, emissões, desempenho, dirigibilidade, partida a frio, corrosão e compatibilidade de materiais. Também serão realizados estudos de durabilidade, considerados fundamentais para verificar os efeitos do combustível depois de milhares de quilômetros de utilização.
Lateral dianteira da Volkswagen Tukan cabine simples 2027
Marcos Camargo Jr. 21.08.2026
Veículos flex tendem a apresentar maior capacidade de adaptação ao aumento da participação do etanol. A atenção será direcionada principalmente aos carros movidos exclusivamente a gasolina, modelos importados, automóveis antigos e motocicletas que não possuem tecnologia flex.
Gasolina vendida atualmente tem 32% de etanol
Atualmente, a gasolina comum e a aditivada comercializadas no Brasil possuem 32% de etanol anidro. A chamada E32 entrou em vigor em 1º de agosto de 2026, em caráter temporário, por um período inicial de 180 dias, que poderá ser prorrogado uma vez pelo mesmo prazo.
A gasolina premium permanece com percentual menor de etanol. A diferença é necessária porque alguns veículos importados e motores de alta performance foram projetados para combustíveis com uma participação mais baixa do biocombustível.

A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, permite que o teor de etanol anidro na gasolina chegue a 35%. Entretanto, qualquer novo aumento depende de comprovação técnica e de uma decisão posterior do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE.
Assim, mesmo depois da conclusão dos ensaios, a adoção da E35 ainda precisará passar por uma nova avaliação do governo. Não há, por enquanto, uma data definida para que a mistura chegue aos postos.
Roda da Fiat Toro híbrida
Marcos Camargo Jr. 24.08.2026
Mais etanol pode alterar o consumo
O etanol possui menor quantidade de energia por litro do que a gasolina. Na prática, o aumento de sua participação na mistura pode elevar ligeiramente o consumo, pois o motor precisa queimar um volume maior de combustível para produzir a mesma quantidade de energia.
O governo também vê a ampliação da mistura como uma forma de diminuir a necessidade de gasolina pura, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e reduzir a dependência de importações.
Um possível efeito sobre o preço nas bombas ainda é incerto. Embora o etanol anidro normalmente custe menos do que a gasolina pura, as últimas mudanças na composição não provocaram reduções expressivas para o consumidor. Entre os fatores que influenciam o preço final estão petróleo, câmbio, impostos, distribuição e margem dos postos.
Antes da entrada da E32, a gasolina comum custava em média R$ 6,55 por litro no país. Na semana de 6 a 12 de setembro, o valor médio estava em R$ 6,53. A diferença de dois centavos não pode ser atribuída exclusivamente ao aumento do teor de etanol.
Os ensaios com a E35 darão continuidade ao trabalho realizado dentro do programa Combustível do Futuro. A Agência Nacional do Petróleo também participa de uma rede de pesquisa sobre misturas com maior teor de etanol e biodiesel, com estudos previstos até o fim de 2027.
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