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Por que o seguro do carro ficou 15% mais caro em 2026?

Estudo mostra que peças importadas e aumento de roubos e furtos impactaram o valor das apólices

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O custo do seguro de automóveis no Brasil subiu cerca de 15% em 2026, com apólices passando de R$ 2,3 mil para mais de R$ 2,7 mil.
  • O aumento é atribuído ao crescimento da criminalidade e sinistralidade, especialmente em estados como o Rio de Janeiro.
  • Fatores como o aumento no custo de reparo e a complexidade tecnológica dos veículos modernos também contribuíram para a elevação dos preços.
  • Modelos chineses e elétricos, assim como a localização e perfil do motorista, impactam nos custos das apólices de seguro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Carro é roubado com bebê de dois meses dentro na região do Jaraguá, Zona Norte de SP Reprodução/RECORD

O custo do seguro de automóveis voltou a subir no Brasil em 2026. Levantamento da Creditas aponta que o preço médio das apólices avançou entre 14% e 16% nos primeiros meses do ano, consolidando uma alta próxima de 15% no período. E há razões claras para isso ter acontecido.

O R7-Autos Carros conversou com corretores de seguro que comentaram esse aumento no custo, que ficou bem mais alto que a inflação de 2025 (4,26%, segundo o IPCA).


Na prática, o valor médio pago do prêmio (valor da apólice) pelo consumidor passou de cerca de R$ 2,3 mil para mais de R$ 2,7 mil, refletindo um cenário de maior risco e aumento nos custos de reparo.

Veículos mais almejados e roubados por criminosos Divulgação

Aumento da criminalidade pressiona preços

Um dos principais fatores para a alta é o aumento da sinistralidade — que inclui roubos, furtos e colisões.


A alta nos preços está ligada a custos de peças e crescimento da criminalidade no Brasil Freepik/Divulgação

Em estados como o Rio de Janeiro, por exemplo, os roubos de veículos cresceram cerca de 5% no início de 2026, pressionando diretamente o valor do seguro.

Embora em São Paulo os índices tenham apresentado queda ao longo de 2025 (18%, segundo a Secretaria de Segurança Pública), o cenário nacional ainda é considerado instável pelas seguradoras, o que mantém o risco elevado no cálculo das apólices.


“Aqui na região metropolitana, o índice de roubo e furto caiu, mas no Brasil em geral subiu, e isso encarece todo o seguro de forma geral”, diz Diego Soares, corretor de seguros. “Um Up! de um segurado que é um carro nacional, de manutenção barata. Motorista de idade mais avançada pagou R$ 2.700 na apólice, enquanto ano passado foi R$ 2.300”, completa.

Peças mais caras e carros mais tecnológicos

Outro fator relevante é o custo de reparo, que vem aumentando de forma consistente. Com veículos mais conectados e tecnológicos, o custo das peças e do reparo subiu consideravelmente.


À luz do dia, criminosos quebram vidro e roubam carro em menos de 1 minuto em São Paulo Reprodução/Record

Segundo especialistas do setor, a inflação de peças e a maior complexidade dos veículos modernos impactam diretamente o seguro.

Há cada vez mais carros com sistemas ADAS; sensores e câmeras têm manutenção mais cara; reparos deixaram de ser apenas mecânicos e passaram a envolver eletrônica; e, além disso, franquias e indenizações ficaram mais elevadas.

Esse efeito é ainda mais evidente em modelos importados e eletrificados, que utilizam componentes menos disponíveis no mercado nacional. “Hoje, uma multimídia cara, sensores, tudo que é eletrônica também encarece o custo do seguro, porque, em caso de sinistro, a seguradora é que vai arcar, e o risco de não encontrar a peça de reposição é mais alto, e quanto mais risco, mais custo”, explica Júlio César Almeida, corretor de seguros.

Carros chineses e elétricos entram na equação

Suspeitos roubaram carro de motorista de aplicativo e ainda levaram cordão de ouro dele Reprodução/Record

A expansão de marcas chinesas e de veículos elétricos também influencia o cenário. Modelos mais novos, com maior conteúdo tecnológico e menor disponibilidade de peças, elevam o custo médio de reparo — e, consequentemente, o valor do seguro.

Em alguns casos, veículos elétricos podem ter seguro até significativamente mais caro, justamente pelo custo elevado de componentes e mão de obra especializada.

Criminosos desmontavam carros roubados quando foram surpreendidos por policiais civis DIvulgação

Perfil do veículo e região também pesam

O preço do seguro continua altamente sensível a fatores como a região onde o carro circula, índice de roubos do modelo, volume de acidentes e o perfil do motorista.

Grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, concentram os maiores valores devido ao maior risco operacional.

Na prática, o seguro acompanha a transformação do próprio mercado automotivo. Com carros mais caros, conectados e complexos, o custo de proteção tende a subir — especialmente em um cenário de maior exposição a riscos. “É um cálculo de risco, como fazem todas as instituições financeiras. Um carro com reparabilidade alta, risco alto de não ter peça de reposição, elevando o custo em caso de perda total, entre outros fatores, aumentam o risco. No caso dos veículos elétricos e híbridos, o custo de um motor elétrico e uma bateria — bem alto — vai elevar o custo de um seguro, nem tanto pelo roubo, mas pelo risco das peças”, explica Soares.

Como reduzir o custo do seguro?

Corretores afirmam que existem formas de reduzir o valor da apólice com cinco dicas essenciais;

Ajuste a franquia; a chamada franquia reduzida aumenta o preço do seguro. Veja se vale a pena usar esse artifício. Quanto mais alta a franquia, mais barata ficará a apólice, pois, em caso de prejuízo, o acionamento do seguro terá parte do custo pago pelo segurado.

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Evite cobertura desnecessária; veja se facilidades como assistência 24h, guincho ilimitado e carro reserva valem mesmo a pena.

Instale bloqueador, rastreador e alarme: esses dispositivos ajudam a reduzir o custo entre 5 e 15%.

Escolha bem o modelo do carro; veículos não produzidos no Brasil tendem a ter maior disponibilidade de peças. Veículos híbridos, elétricos e importados em geral tendem a ter menor disponibilidade, com custo de manutenção mais alto, o que impacta no valor do seguro.

Comparar as cotações; assim como ao adquirir qualquer serviço, vale a pena cotar entre três e cinco coberturas de seguro diferentes. É importante avaliar os critérios que levam ao preço final e à cobertura de cada companhia antes de tomar a decisão.

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