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Troca de óleo do motor: cinco erros comuns que podem causar prejuízo

Usar produto fora da especificação, esquecer o filtro e ignorar a luz vermelha comprometem a lubrificação

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Motorista olha o nível de óleo Imagens geradas por IA/Reprodução

A troca do óleo é um dos serviços mais conhecidos da manutenção preventiva, mas ainda está cercada por hábitos que podem reduzir a vida útil do motor.

Se no final de semana você escolhe fazer esse serviço no carro, saiba que alguns erros devem ser evitados. Escolher o produto apenas pela viscosidade, misturar lubrificantes incompatíveis ou circular com o nível incorreto estão entre os erros mais frequentes.


O óleo cria uma película entre as peças internas do motor, diminuindo o atrito e o desgaste. Também auxilia no controle da temperatura, na limpeza do conjunto e na proteção contra corrosão. Quando está vencido, contaminado ou fora da especificação, deixa de cumprir corretamente essas funções.

Carro com falta de óleo Imagem feita por IA/Reprodução

O prazo de substituição deve seguir o manual do proprietário, mas geralmente não deve exceder 10.000 km ou seis meses. Além da quilometragem, é preciso observar o limite de tempo e as condições de utilização.


Carros que enfrentam congestionamentos, trajetos curtos, poeira ou longos períodos parados podem se enquadrar no regime de uso severo, com intervalos de manutenção menores, como 7.000 km.

Confira as dicas do R7-Autos Carros.


1. Escolher o óleo apenas pela viscosidade

Nível de óleo do motor Imagem feita por IA/Reprodução

Indicações como 0W-20, 5W-30 e 10W-40 representam a viscosidade do lubrificante em diferentes temperaturas, mas não bastam para determinar se o produto pode ser usado no veículo.

Também é necessário conferir as normas de desempenho (a chamada API) e homologações exigidas pelo fabricante. Essas especificações consideram fatores como projeto do motor, pressão de funcionamento, controle de emissões, presença de turbocompressor, injeção direta e compatibilidade com sistemas de pós-tratamento.


Dois óleos com a mesma viscosidade podem ter pacotes de aditivos e níveis de desempenho diferentes. A referência correta está no manual do veículo, e não somente no número impresso com maior destaque na embalagem.

2. Completar o nível com qualquer produto

Mecânico coloca óleo no motor Imagem feita por IA/Reprodução

Quando o nível está próximo ou abaixo da marca mínima, o motorista não deve adicionar automaticamente qualquer óleo disponível. O produto usado para completar precisa atender à especificação exigida pelo motor e, sempre que possível, deve ser o mesmo que já está no sistema.

Misturar marcas não é necessariamente um problema quando os produtos possuem exatamente as mesmas características e homologações. O risco está em combinar lubrificantes de viscosidades, bases ou especificações diferentes sem orientação técnica.

Também é importante descobrir por que o nível baixou. Pequenas variações podem ocorrer durante o uso, mas uma redução frequente pode indicar vazamento externo, desgaste interno, falha no turbocompressor ou consumo excessivo de óleo.

Completar o reservatório repetidamente não substitui a manutenção. Se o veículo exigir reposições frequentes, deve passar por uma avaliação mecânica. Por isso, jamais deixe que um frentista olhe o nível do óleo no posto. Isso deve ser feito só com motor frio em casa. É simples.

3. Trocar o óleo e manter o filtro antigo

Mecânico segura filtro de óleo Imagem feita por IA/Reprodução

O filtro retém partículas metálicas, resíduos da combustão e outras impurezas presentes no sistema. Ao permanecer no carro depois da troca, ele mantém parte do óleo antigo e pode contaminar rapidamente o lubrificante novo.

Um filtro saturado também pode restringir a circulação. Dependendo do projeto, uma válvula de segurança permite a passagem do óleo sem filtragem para evitar que o motor fique sem lubrificação. O conjunto continua funcionando, mas as impurezas passam a circular pelas galerias.

Por isso, a recomendação é substituir o filtro junto com o óleo. A economia obtida ao reaproveitar a peça é pequena diante do custo de um possível reparo no motor.

4. Circular com óleo abaixo ou acima do nível

Motorista olha o motor do veículo Imagens geradas por IA/Reprodução

A falta de óleo pode provocar perda de pressão e deixar componentes importantes sem lubrificação suficiente. Mancais, virabrequim, comando de válvulas, pistões e turbocompressor podem sofrer desgaste acelerado ou até danos permanentes.

O excesso também é prejudicial. Quando há óleo acima da capacidade prevista, peças móveis podem atingir o lubrificante e formar espuma. Isso reduz a eficiência da lubrificação, aumenta a pressão interna e pode causar vazamentos, contaminação do sistema de admissão e danos ao catalisador.

A conferência normalmente deve ser feita com o veículo estacionado em uma superfície plana e o motor desligado. É necessário aguardar o tempo indicado no manual para que o óleo retorne ao cárter. Alguns carros utilizam vareta convencional, enquanto outros fazem a medição por meio do painel.

O nível deve permanecer entre as marcas mínima e máxima. Se estiver baixo, a reposição precisa ser feita gradualmente para evitar que a quantidade ultrapasse o limite.

5. Confundir a luz do óleo com lembrete de revisão

Motorista fala problemas do veículo com mecânico Imagens geradas por IA/Reprodução

A luz vermelha do óleo não é apenas um aviso de que chegou a hora da troca. Em geral, ela indica baixa pressão no sistema de lubrificação, situação que pode destruir o motor em poucos minutos.

Se o alerta permanecer aceso com o motor funcionando, o motorista deve parar assim que encontrar um local seguro e desligar o veículo. Não é recomendável continuar dirigindo até uma oficina.

Depois de desligar o motor, pode-se verificar o nível conforme as orientações do fabricante. Mesmo que a quantidade esteja correta, o carro não deve voltar a circular sem diagnóstico, pois a falha pode estar relacionada à bomba de óleo, ao sensor, ao filtro, ao pescador do cárter ou a componentes internos.

Já o lembrete de revisão costuma aparecer em outra cor ou acompanhado por uma mensagem de manutenção. Ele informa um prazo programado e não representa, necessariamente, uma emergência mecânica.

Quilometragem não é o único critério

“A troca de óleo não deve ser encarada apenas como uma tarefa relacionada à quilometragem. É importante considerar as especificações indicadas pelo fabricante, as condições do sistema e a forma como o carro é utilizado”, explica Danilo Ribeiro, especialista do Centro de Tecnologia, Treinamento e Inovação da DPaschoal.

Mecânico analisa motor do carro Freepik/Divulgação

Segundo Ribeiro, a escolha correta do lubrificante e a avaliação dos componentes relacionados à lubrificação ajudam a manter o motor dentro das condições previstas pelo fabricante.

Também não é recomendado utilizar aditivos suplementares por conta própria. Lubrificantes homologados já possuem um pacote de aditivos desenvolvido para aquela aplicação. A inclusão de outro produto pode alterar o equilíbrio químico da fórmula e não deve ser feita sem recomendação específica.

Guardar a nota fiscal e registrar a data, a quilometragem, a especificação e a quantidade aplicada facilita o acompanhamento das próximas manutenções. O histórico também ajuda a identificar alterações no consumo de óleo e valoriza o veículo no momento da revenda.

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