Vendas de carros novos superam 1,42 milhão de unidades e têm melhor resultado desde 2014
Crescimento no ano deve chegar a 12,1%, superando 3 milhões de unidades, segundo a estimativa da entidade

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos) divulgou o balanço das vendas do mês de junho e também o balanço do primeiro semestre de 2026. Foram 1,37 milhão de veículos produzidos, o melhor semestre de 2019 e crescimento de 8,8% sobre o mesmo período de 2025.
Nas vendas, foram 1,42 milhão de unidades vendidas nas concessionárias. Com o que chamou de alto dinamismo do primeiro semestre, o crescimento deve chegar a 12,1%, superando 3 milhões de unidades, segundo a estimativa da entidade.
“É o melhor resultado desde 2014, considerando as vendas. O crescimento é bastante robusto do mercado brasileiro e vem acontecendo desde os últimos três ou quatro meses”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.
A entidade lembra que, em um crescimento das vendas da ordem de 18% a produção cresceu 8,9%. “Existe um gap muito grande entre o crescimento de mercado e a produção. Tenho dito a vocês (imprensa), e também ao governo, que temos que fazer uma escolha de modelos. Hoje mais de 5% da produção está concentrada em regime SKD e CKD”.

No entanto, a entidade aponta que, em junho, a média diária de vendas caiu. Em maio foram 214,6 mil veículos vendidos. Em junho foram 213 mil, uma queda de 0,8%, que a Anfavea vê como uma tendência de estabilidade.
Considerando os comerciais leves (picapes e comerciais de pequeno porte), em maio foram 50 mil unidades vendidas e, em junho, foram 47,6 mil unidades, uma queda maior de 4,9%.

Caminhões e ônibus com início de recuperação
As vendas de caminhões caíram 10,5% no primeiro semestre de 2026, quando comparadas com 2025. No caso dos ônibus, a queda chegou a 11,6% no mesmo período.
“No caso dos ônibus, só os microônibus cresceram. Modelos urbanos e rodoviários caíram. No caso dos caminhões, tivemos uma queda muito importante”, ressaltou Calvet.

No entanto, a Anfavea lembrou que o programa Move Brasil, com linhas de crédito para veículos pesados, contribuiu para um início de recuperação no setor.
“Os programas de financiamento ajudaram a conter a queda. Melhoramos, porém o segmento está ruim. O que houve até agora é que atenuamos a queda que começou com 31% e agora está em 10%. Em junho tivemos o primeiro mês positivo, com 9,8 mil unidades vendidas. Em 2025, eram 8,5 mil unidades”, lembra o presidente da entidade.
Vendas de elétricos e híbridos já são 20% do total
As vendas de modelos elétricos e híbridos também cresceram ao longo do ano, cerca de 4% em seis meses. No caso de veículos importados em regime CKD e SKD, foram 85 mil unidades em 2025 e, até agora, já foram 146 mil unidades, crescimento de 70,6%. Já a produção de eletrificados nacionais (híbridos leves) de 29 mil já são 45 mil unidades.
“As importações crescendo 22% e as nossas exportações caindo 21% ou 22%. As vendas para a Argentina caíram 10% no semestre. Isso mostra pouco dinamismo da nossa indústria”, disse Calvet.
A Anfavea também destacou que os carros eletrificados já representam 20,9% das vendas de modelos novos no país.

Crescimento dos importados
Até junho, pouco mais de 280 mil veículos importados foram vendidos no país; a China sozinha representou 98,5% de crescimento. No primeiro semestre passado foram 71 mil unidades, enquanto este ano foram 140,8 mil unidades. As importações de países como Argentina caíram de 102 mil unidades em 2025 para 86,4% (-18%) em um ano.
O crescimento das vendas de eletrificados também é relevante. No primeiro semestre de 2025, foram 85,5 mil importados, entre elétricos e híbridos, para 145 mil unidades em um intervalo de um ano.
Anfavea revisa previsão de crescimento para baixo
A entidade que representa os fabricantes de veículos também revisou para baixo as previsões do mercado automotivo em função de uma deterioração do cenário econômico no país.
“Continuamos com Selic muito alta, o que impacta no consumo. O mercado de trabalho está estável, com 5,7% de desemprego, mas crédito restrito”, alertou Calvet.
A Anfavea previa um crescimento de 2,7% para esse ano, mas agora a revisão leva para 12,1%. Porém, o crescimento foi concentrado em veículos leves, pois o setor de veículos pesados deve cair 6% este ano. As exportações devem cair 12,9% no segmento de automóveis e 11% de pesados com caminhões e ônibus.
Na produção, a previsão era de crescimento de 3% no começo do ano e agora deve chegar a 5%. “Sempre o resultado de emplacamentos segue a produção, mas, com as importações crescendo 20%, quando fechamos a equação, estamos crescendo, mas de forma desproporcional”, finaliza Calvet.
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