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A aritmética do segundo turno da eleição presidencial segue desfavorável a Lula

Confundir crescimento de intenção de voto com redução de desvantagem é um equívoco básico de leitura eleitoral

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • As pesquisas mostram Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%, mantendo a mesma distância do primeiro turno.
  • Flávio Bolsonaro tem vantagem entre eleitores de candidatos eliminados, aumentando sua vantagem em cerca de 1,05 milhão de votos.
  • Lula precisa mobilizar eleitores que se abstiveram ou votaram em branco/nulo, onde tem uma pequena vantagem de 5 pontos.
  • A disputa permanece aberta, mas a virada de Lula continua sendo uma necessidade sem evidências claras nas pesquisas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Lula precisa combinar preservação da própria base, conquista de adversários e mobilização de quem não deu voto válido no primeiro turno Marcelo Camargo/Agência Brasil

A principal novidade das pesquisas é a ausência de novidade. A Quaest mostra Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%. Na última simulação antes do primeiro turno, eram 44% e 42%, respectivamente. Os dois cresceram na mesma proporção e a distância permaneceu exatamente igual.

Há empate técnico, mas não há, nessa comparação, sinal de aproximação do presidente. Confundir crescimento de intenção de voto com redução de desvantagem é um equívoco básico de leitura eleitoral.

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O cenário mantém sua estrutura. Flávio saiu do primeiro turno com uma vantagem de aproximadamente 2,225 milhões de votos. Lula precisa superar essa diferença em uma disputa na qual os eleitores das candidaturas eliminadas também estão fazendo suas escolhas. E é justamente nesse movimento que a Quaest traz um dado desfavorável ao governismo.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, Flávio recebe 42%, contra 23% de Lula. Entre os de Renan Santos, são 40% para o candidato do PL e 14% para o petista. Lula aparece numericamente à frente entre os eleitores de Augusto Cury, mas por uma distância muito menor: 34% a 30%. A vantagem do presidente nesse último grupo não compensa o saldo que a oposição obtém nos outros dois.

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Aplicados aos votos que esses três candidatos receberam no primeiro turno, os percentuais produzem um saldo adicional de aproximadamente 1,05 milhão de votos para Flávio.

Trata-se de uma simulação com intenções declaradas em grupos pequenos da amostra, sujeita a incerteza maior. Ainda assim, sua direção política é clara: mantidas essas proporções e preservadas as bases dos dois finalistas, a distância ultrapassaria 3,2 milhões de votos. O desafio de Lula aumentaria.

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É por isso que a discussão sobre a abstenção ganhou tanta importância. A campanha governista precisa encontrar votos em quantidade suficiente para compensar tanto a desvantagem inicial quanto o saldo de migração favorável ao adversário.A Quaest identifica, entre os que se abstiveram, votaram em branco ou anularam no primeiro turno, 43% de preferência por Lula e 38% por Flávio.

Há duas informações essenciais nessa leitura. O recorte reúne comportamentos diferentes: quem compareceu e anulou não enfrenta necessariamente a mesma dificuldade de mobilização de quem ficou em casa. Além disso, os dois candidatos somam 81% das respostas desse grupo. Transformar toda essa preferência declarada em voto efetivo pressupõe uma conversão muito elevada.

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Responder a uma pesquisa exige muito menos disposição do que sair de casa para votar. Um eleitor pode preferir Lula a Flávio, ou Flávio a Lula, e continuar sem motivação para comparecer. A preferência existe; sua transformação em voto depende de mobilização.

O histórico brasileiro recomenda prudência. Desde a redemocratização, somente em 2022 a abstenção presidencial caiu do primeiro para o segundo turno. Mesmo naquela eleição excepcionalmente mobilizada, a redução foi de apenas 0,36 ponto percentual: de 20,95% para 20,59%, um aumento líquido de aproximadamente 570 mil votantes.

Esse saldo não significa que apenas 570 mil ausentes retornaram: houve pessoas que passaram a votar e outras que deixaram de comparecer. Mas mostra a dificuldade de produzir uma expansão líquida expressiva da participação. Uma preferência declarada por milhões de ausentes não pode ser tratada automaticamente como milhões de votos novos.

Mais preocupante para o governo é o tamanho da vantagem de Lula nesse público: cinco pontos. A eventual recuperação de eleitores também beneficia Flávio. A cada cem pessoas desse grupo, as respostas indicam 43 votos para o presidente e 38 para o adversário. O ganho líquido petista seria de cinco votos, caso todas essas intenções se concretizassem. Para enfrentar uma diferença de milhões, uma vantagem dessa dimensão exige uma mobilização enorme.

A pesquisa mantém a disputa aberta, mas oferece pouco fundamento para uma narrativa de virada. A distância na série da Quaest permaneceu igual, a migração dos principais candidatos eliminados favorece a oposição e a vantagem de Lula entre ausentes, brancos e nulos é estreita diante da tarefa que precisa cumprir.

Flávio começa essa etapa à frente e encontra, nas transferências declaradas, espaço para ampliar seu saldo. Lula precisa combinar preservação da própria base, conquista de adversários e mobilização de quem não deu voto válido no primeiro turno.

É possível. Mas os números apresentados até aqui mostram que essa virada continua sendo uma necessidade da campanha governista, ainda sem demonstração nas pesquisas.

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