Quais são os impactos diretos da economia da atenção na educação das crianças?
Modelos de negócios digitais tratam o foco humano como uma mercadoria valiosa e podem ser ainda mais preocupantes para crianças e adolescentes
Chá de Ideias|Do R7
O Chá de Ideias desta semana é o chá de camomila, o campeão absoluto quando nós falamos de crianças. Um chá oferecido e preparado pelas famílias brasileiras, porque é suave e amplamente recomendado na infância. Especialmente quando oferecido antes de dormir, por ter um efeito bastante conhecido de relaxamento e de calma.
Eu trago esse chá porque hoje nós vamos focar o nosso debate sobre os riscos para crianças e adolescentes da economia da atenção, especialmente em relação à educação.
Então vamos lembrar o que é a economia da atenção. Ela tem muita relação com modelos de negócios digitais que tratam o foco humano como uma mercadoria valiosa, o que impõe sérios riscos ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, afetando drasticamente os ambientes educativos.
Como as plataformas são desenhadas para maximizar o tempo de tela, usam gatilhos psicológicos, e o cérebro em desenvolvimento é muito mais vulnerável a esse ciclo de hiperestimulação.
Quais são os impactos diretos na educação? O consumo excessivo de conteúdos fragmentados e rápidos, como vídeos de poucos segundos, altera a forma como os jovens processam a informação.
Veja bem, ocorre a erosão da atenção profunda, ou seja, fica cada vez mais difícil manter o foco em atividades lineares e de longo prazo, como a leitura de livros ou a explicação de um professor em sala de aula, por exemplo.
Há também a fragmentação do estudo. O que ocorre é que se cria um hábito de alternar constantemente as tarefas, sempre buscando saber as notificações do celular, impedindo que o estudante atinja o estado de fluxo necessário para o aprendizado complexo.
E o que podemos fazer para mitigar esses efeitos? O que nós, pais e educadores, o que a sociedade em geral pode fazer?
Propor uma alfabetização digital nas escolas para ensinar as nossas crianças e os nossos jovens como a economia da atenção funciona, para que eles desenvolvam autonomia e críticas sobre o próprio tempo e não sejam facilmente capturados, sequestrados por essa questão.
A economia da atenção, que já tem efeitos perversos nos adultos, pode ser ainda mais preocupante com as crianças e adolescentes. Ainda bem que nós temos uma lei que proíbe o uso dos celulares em sala de aula, mas os pais e responsáveis têm que fazer a sua parte em casa.
De um lado, percebendo e monitorando o uso desse instrumento na residência e, de outro lado, oferecendo possibilidades saudáveis de relacionamento. A começar pelos nossos relacionamentos com as nossas crianças e adolescentes. Conversar, dar atenção, buscar mais tempo de qualidade.
Eu sou Ilana Trombka e esse é mais um Chá de Ideias. Até a próxima segunda-feira, nosso encontro semanal com boas reflexões e grandes debates.














