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Violência não começa com um tapa, mas com o controle psicológico e isolamento

Movimento Pink Pill traz informações práticas sobre quais órgãos procurar, para onde ir, e responde a uma demanda real

Chá de Ideias|Do R7

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Chá de Ideias desta semana é o chá de rosa mosqueta, que serve para fortalecer a imunidade, combater os radicais livres e auxiliar na recuperação de gripes e resfriados. E esse foi o chá escolhido exatamente pela menção à palavra “rosa”, pink, em inglês.

Vejam só, nós já conversamos e vocês sabem que existe um movimento iniciado nas redes sociais chamado Red Pill, que motiva o aumento da violência contra mulheres. Muitos já criticamos, não só o movimento, mas a adesão e o acesso aos seus conteúdos, que em geral são monetizados.

E quanto mais acessado o conteúdo, mesmo que para criticá-lo nos comentários, mais dinheiro as pessoas ganham para continuar com a produção desses mesmos conteúdos discriminatórios.

E existe, no entanto, um novo movimento, bastante recente, que se opõe ao Red Pill, que é o Pink Pill, a versão feminina da metáfora da pílula do Matrix, aquele que faz você acordar para uma verdade nua e crua dos relacionamentos.

O Red Pill diz que o feminismo acabou com a sociedade e arruinou o mundo, enquanto o Pink Pill diz que a misoginia é uma ameaça real à vida das mulheres.

E é claro que o Pinkpeel nasce como uma reação à misoginia online. No entanto, em relação às mulheres, quer trazer informações úteis e de proteção.

No Brasil, esse movimento tem as suas características próprias. Aqui é muito mais um movimento de autodefesa da mulher, passando informações para que ela possa se defender de uma sociedade que, infelizmente, cada vez registra mais casos de feminicídio.

Então, é como se fosse um movimento para ajudar a mulher com informações práticas para que ela possa buscar proteção adequada quando exposta a situações de violência.

Além da autodefesa, estimula a identificação de falas misóginas, a autovalorização e autoestima da mulher e o rompimento com o ciclo de relacionamentos abusivos.

Faz por meio de sátiras, com humor, com vídeos curtos, fáceis de ver, para furar essa bolha desse conteúdo mais quadrado. Busca informar aquilo que a gente já sabe e fala, batendo sempre na mesma tecla.

A violência não começa com um tapa ou com uma agressão física. Ela começa com o controle psicológico e isolamento. Traz informações muito práticas sobre quais órgãos procurar, para onde ir, e responde a uma demanda real.

Mas é importante chamar atenção de que esse movimento tão interessante, tão útil, nada diminui a responsabilidade do Estado em prover essa proteção e a segurança merecida por todo cidadão e todas as cidadãs.
Eu sou Ilana Trombka e esse é mais um Chá de Ideias. Até a próxima segunda-feira, nosso encontro semanal com boas reflexões e grandes debates. 


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Ilana Trombka é diretora-geral do Senado Federal desde 2015. Mestre em Comunicação Social e graduada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), também tem especialização em Direito Legislativo pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Ainda é doutora em Administração de Empresas pela EAESP-FGV. Foi finalista do Prêmio Viva 2018 e vencedora de duas edições do Prêmio Opinião Pública (POP).

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