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As questões reveladas pelas urnas no 1º turno das eleições e o que elas querem dizer

É importante chamar a atenção de que o comparecimento às urnas foi de 78,92%, quase 79%, além de uma participação feminina maior

Chá de Ideias|Do R7

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O Chá de Ideias desta semana é o chá de ginseng, um chá fitoterápico que não tem cafeína e ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo e a oxigenação no cérebro, combatendo diretamente a fadiga mental.

Eu trago esse chá porque eu quero falar de números que nos chamam a atenção. Vou comentar algumas questões reveladas pelas urnas e o que elas querem dizer.

É importante chamar a atenção de que o comparecimento às urnas foi de 78,92%, quase 79%. Significa dizer que nós aumentamos mais uma vez o número de pessoas que não votaram. Dessa vez, 33 milhões de brasileiros e brasileiras não compareceram ao dever civil. Em 2006, para que vocês tenham uma ideia, esse número era de 21 milhões e ele foi crescendo no decorrer dos anos, chegando a 32,7 milhões em 2022 e agora 33 milhões.

Então, em uma eleição que tem o segundo turno nacionalmente em alguns estados, seguir estimulando o comparecimento às urnas é muito importante.

E como foi o desempenho das mulheres nessa eleição? Em relação à Câmara Federal, podemos falar apenas do número de candidatas e não ainda do número de mulheres eleitas. Pode ser que, quando você escuta esse chá de ideias, nós já tenhamos esses números, mas hoje, quando eu gravo, não temos ainda.

O que nós podemos dizer é que, para a Câmara dos Deputados, em 2022, tínhamos 35% de candidatas mulheres, e esse número subiu para pouco mais de 37% em 2026. No geral, em 2022, tínhamos 33,8% de candidaturas de mulheres para todos os cargos na eleição, e esse número subiu um pouquinho só para 34%.

Agora, sobre aquilo que as urnas já nos disseram, houve um aumento da bancada feminina no Senado Federal; chegamos a 18 senadoras, ou seja, três a mais do que nós temos hoje. Com isso, será rompida a barreira dos 20%; serão mais de 22% de mulheres na Câmara Alta do Parlamento Brasileiro.

Isso é muito importante porque mostra um crescimento progressivo e contínuo. Dizem as teorias que, acima de 20%, é possível ter um potencial de negociação bastante maior em relação ao geral.

Então, no Senado Federal, chegamos a esse número e é importante dizer que, pela primeira vez, temos uma unidade da federação, que é o Distrito Federal, que vai ter uma bancada composta apenas por mulheres.

Quando falamos em governo de Estado, tivemos uma governadora reeleita já no primeiro turno, que foi a governadora de Pernambuco, a Raquel Lyra, e em quatro estados em que há mulheres concorrendo no segundo turno.

Isso significa dizer que há chance de termos uma bancada de governadoras maior do que tínhamos entre os estados na última eleição, quando foram duas mulheres eleitas para comandar governos de Estado.

Isso mostra, sim, um aumento da representação feminina. Não, talvez o aumento agressivo que nós gostaríamos, como bater 30% ou chegar a 50% de representação, já que a maioria do eleitorado brasileiro é formada por mulheres, mas um aumento progressivo de lideranças femininas que nascem e se estabelecem.

Nós podemos dizer que essas mulheres eleitas são heroínas, porque, além do seu trabalho natural, além da responsabilidade nos seus lares, elas estão assumindo uma responsabilidade pública.

Independentemente da posição de esquerda ou de direita, do cenário político que nós temos, aqui é aplaudir essas mulheres que desenvolveram lideranças, apesar dos pesares, e que conseguiram passar por campanhas eleitorais, muitas vezes com violência política, e vencer nas urnas.

Que sejam mandatos brilhantes, que possam favorecer a posição da mulher na sociedade brasileira.

O que já saiu das urnas em 2026 foi uma participação feminina maior. Temos que confirmar esses dados ainda com a totalização de candidatas à Câmara Federal e das candidaturas às assembleias estaduais, mas o que temos até aqui mostra uma melhoria.

Eu sou Ilana Trombka e esse é mais um Chá de Ideias. Até a próxima segunda-feira, nosso encontro semanal com boas reflexões e grandes debates. 


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Ilana Trombka é diretora-geral do Senado Federal desde 2015. Mestre em Comunicação Social e graduada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), também tem especialização em Direito Legislativo pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Ainda é doutora em Administração de Empresas pela EAESP-FGV. Foi finalista do Prêmio Viva 2018 e vencedora de duas edições do Prêmio Opinião Pública (POP).

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