Ludopatia pode acabar atingindo grupo de mulheres que têm mais dificuldade financeira
Estudo mostra que mulheres usam aposta online como uma alternativa de renda, o que pode acabar justamente no sentido oposto
Chá de Ideias|Do R7
O Chá de Ideias desta semana é o chá verde, que é rico em antioxidantes chamados catequinas, que ajudam a combater os radicais livres e que também aceleram o metabolismo de forma leve, melhorando o foco, protegendo o coração e auxiliando no combate à glicose, especialmente quando aliado a hábitos mais saudáveis.
E eu escolhi esse chá em virtude da sua cor. Verde tem relação com esperança, mas também é uma cor que nos remete ao dinheiro. E o que eu vou tratar hoje é a questão das mulheres e a forma como elas se relacionam com as bets.
Já vou te dar um spoiler. Diferente dos homens que jogam por prazer, as mulheres, em geral, o fazem como uma alternativa de sanar questões financeiras. E, claro, na imensa maioria das vezes, acaba muito pior do que começou.
Deixa eu te traçar aqui um cenário: 55% das mulheres brasileiras são mães solos. Esse número se concentra mais nas classes C, D e E. Essas mulheres têm uma renda mensal média de R$ 2.322. Não quero fazer qualquer colocação que pareça defender a intervenção na autonomia do adulto em relação à sua liberdade de escolha.
Mas a verdade é que as bets estão sendo utilizadas por essas mulheres como uma alternativa de renda, especialmente quando elas passam por dificuldades financeiras e podem acabar justamente no sentido oposto.
Vou trazer dados de uma pesquisa chamada Mulheres e Bets. O custo das apostas online para as brasileiras e suas famílias, divulgado pelo Instituto Clarice, em parceria com a Estratégia Latina e o Instituto Aldeia.
Esse estudo acende um alerta vermelho sobre os impactos financeiros, sociais e psicológicos dos jogos de azar na vida das mulheres, desmistificando aquela ideia de que só os homens jogam nas apostas eletrônicas.
Segundo o estudo, 54% das mulheres brasileiras se dizem impactadas por esses jogos de azar e 42% jogaram. Dessas, 20% seguem com a prática. E 12% nunca experimentaram as bets, mas as suas famílias estão impactadas pelo uso delas.
A ludopatia pode acabar atingindo um grupo de mulheres, exatamente aquelas que são mães solo, que têm mais dificuldade financeira, acendendo um alerta adicional a respeito do impacto social.
Cada adulto é autônomo para decidir o uso que faz dos seus recursos, mas, uma vez que o jogo de azar é utilizado como uma estratégia de sobrevivência, o risco na sua utilização parece ainda maior.
Atenção nisso, isso é perigoso.
Eu sou Ilana Trombka e esse é mais um Chá de Ideias. Até a próxima segunda-feira, nosso encontro semanal com boas reflexões e grandes debates.














