Augusto Cury vai de nanico a ‘real player’ e pode ser decisivo no segundo turno
Candidato do Avante registra 11% de intenção de votos e se torna fenômeno eleitoral uma semana depois da primeira exposição na TV
Christina Lemos|Do R7

O candidato do Avante à presidência da República, Augusto Cury, tornou-se o primeiro fenômeno eleitoral na terceira semana oficial da campanha e apenas sete dias após sua aparição na TV em debate com outros dois concorrentes, nenhum deles favorito.
O médico psiquiatra e escritor de livros de autoajuda registrou 11% das intenções de voto, no maior salto de aprovação já registrado na disputa, o que o leva a sair da condição de “nanico” para a de “player” com chances reais na disputa.
O desempenho foi suficiente para superar o veterano Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, com longa trajetória política e experiência administrativa; o outsider Renan Santos, que encarna o discurso da anti-política, com importante exposição em redes sociais; e praticamente pulverizar a candidatura do ex-governador de Minas Romeu Zema, do Novo, que cai de 4% para 1% das intenções de voto.
A escalada súbita de Cury vem imediatamente após seu desempenho no primeiro debate eleitoral na TV, que levou a um aumento exponencial (900%) nas buscas digitais por seu nome e acrescentou nada menos que 2,5 milhões de seguidores do dia para a noite, apenas em uma de suas redes sociais, o Instagram.
Com somente 35 segundos por bloco de exibição no horário eleitoral gratuito, o candidato do Avante terá de usar as ocasiões de debates, entrevistas e sabatinas para manter e até aumentar seu desempenho. O fenômeno revelado pela pesquisa Nexus/BTG Pactual é observado com perplexidade e cautela pelas demais campanhas.
Há os que enxergam o caso com certo ceticismo e acreditam se tratar de um “vôo de galinha” — que em política significa sucesso momentâneo, com pouca chance de se sustentar no tempo.
Para outros, a possibilidade de Cury se consolidar como uma terceira via vai depender do desempenho do candidato nas próximas pesquisas e dos arranjos políticos que o pequeno Avante seja capaz de construir a partir do fato novo.
A se confirmar, o caso Cury — o homem que sustenta que “o Brasil tem cura” — já muda os planos de quem se ocupa de desenhar as estratégias para o segundo turno, em que o favoritismo de Lula praticamente desaparece.
No cenário atual, demonstrado pela maioria dos institutos de pesquisa, o petista está tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, do PL. A condição o coloca no papel de, além de articular apoios no Centrão, com promessas que são feitas desde já, considerar a necessidade de abrir diálogo com o novato Augusto Cury, cuja candidatura sequer era levada a sério até aqui.
As próximas semanas serão decisivas para consolidar ou dissipar o que até o momento desponta como fato relevante deste primeiro turno da campanha presidencial e comprova o peso da exposição na TV para qualquer concorrente ao principal cargo do Executivo Federal.
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