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Escala 6x1 é a única proposta a furar a bolha da polarização e vai a voto

Emenda é identificada com candidato petista e alcançará 40 milhões de trabalhadores

Christina Lemos|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A proposta de fim da escala 6x1 visa instituir 40 horas semanais de trabalho com dois dias de descanso, sem redução de salários.
  • A medida, identificada com o candidato petista Lula, pode beneficiar 40 milhões de trabalhadores e é a primeira mudança significativa desde 1988.
  • O apoio popular à proposta é alto, com 60% de aprovação, mesmo entre críticos do governo Lula, e é vista como uma guinada contra o modelo neoliberal.
  • A medida favorece especialmente as mulheres, que sofrem com a dupla jornada de trabalho, e enfrenta resistência dos setores produtivos, que buscam soluções de transição.

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Medida pode beneficiar 40 milhões de trabalhadores e é a grande aposta da esquerda nas eleições Reuters/Adriano Machado - 26.08.2026

O fim da escala 6x1 — a proposta que institui na Constituição a escala de trabalho de 40 horas semanais, com dois dias de descanso, sem redução de salários — é a única tese em debate capaz de “furar a bolha” da polarização, isto é, recebe o apoio de amplas camadas populares que usualmente se posicionam contra o candidato mais identificado com a esquerda, o petista Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida, se aprovada, vai favorecer 40 milhões de trabalhadores e representa a principal mudança em regras trabalhistas desde 1988 – data da última iniciativa nesta direção.


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De acordo com levantamento do Instituto Ipsos, a aprovação da medida alcança 60%, mesmo entre os que desaprovam o governo Lula. É a primeira iniciativa na direção contrária ao modelo de trabalho que privilegia o negociado sobre o legislado, que vinha prevalecendo desde a gestão de Michel Temer, quando a reforma trabalhista de 2017 flexibilizou direitos.

O relatório do senador Omar Aziz (PSD/AM) favorável à medida deve ser aprovado com facilidade na Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta quarta-feira, ainda sem garantias de votação em primeiro turno no plenário antes do fim do processo eleitoral.


A guinada na direção de fixar em lei a proteção ao tempo de descanso do trabalhador é a única proposta em debate no contexto eleitoral a causar forte engajamento entre os eleitores, a ponto de ultrapassar 73% de apoio entre os entrevistados da Ipsos.

A expectativa entre congressistas é de que a aprovação da emenda constitucional em plenário supere esta marca, o que levará a regra a constar da Constituição e forçará o setor produtivo à primeira adaptação não-neoliberal em quatro décadas.


A resistência destes setores é grande e há correria em busca de soluções de transição para mitigar impactos econômicos. Devem ser buscadas saídas em países onde a medida já foi aplicada com sucesso, como Portugal, Espanha, Chile, Colômbia e México.

Algumas destas economias são semelhantes à do Brasil. Não raro, houve registro de ganho de produtividade, redução de índices de adoecimento e de rotatividade de trabalhadores, sem qualquer colapso ou choque de preços.


A medida favorece particularmente uma camada estratégica de trabalhadores e eleitores: as mulheres. Ainda hoje este grupo social é penalizado com a jornada dupla de trabalho, exercida dentro e fora de casa, com mínima margem para lazer e descanso. Elas representam mais da metade do eleitorado apto a votar, consistindo em 52% do total.

À exceção de Lula, nenhum dos candidatos ao Planalto mais competitivos saiu em defesa da mudança de regra, que tem forte rejeição entre o pensamento de direita. Alguns se esquivaram de adotar um posicionamento claro, principalmente em situações de exposição em massa, caso das sabatinas na TV.

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