Lula reage a críticas e convida financistas e banqueiros para reunião no Alvorada
Petista pretende explicar por que não mostrou disposição para corrigir rumos do endividamento público em contraposição a candidato do PL
Christina Lemos|Do R7

O candidato do PT à reeleição, o presidente Lula, quer uma conversa direta com representantes do mercado financeiro e do sistema bancário para esclarecer posições sobre o endividamento público, alvo de críticas dos setores produtivo e financeiro.
Estão convidados para o encontro na segunda-feira, no Palácio da Alvorada, dirigentes de grandes bancos e representantes do mercado. Alguns deles se reuniram com seu adversário político e concorrente nestas eleições, Flávio Bolsonaro, do PL, em jantar nesta quinta-feira, em São Paulo.
Lula deve repetir aos convidados os mesmos argumentos que sustentou durante entrevista como candidato a uma emissora de tv.
Na ocasião, evitou qualquer promessa quanto às cobranças sobre cortes de gastos e redução da dívida pública. Enquanto fazia as declarações, simultaneamente, seu adversário, Flávio Bolsonaro, adotava discurso oposto em resposta a questionamentos feitos por pesos-pesados do mercado financeiro e do setor bancário.
O senador prometeu retomar o controle das despesas, chegando a mencionar o modelo adotado durante o governo Temer, quando se estabeleceu um teto de gastos, enquanto o petista sinalizou que uma correção de rumos não é cogitada para um eventual próximo governo.
Para rebater uma das principais críticas à sua gestão, o presidente Lula contestou a ideia de que o índice de endividamento público no Brasil - hoje em nível recorde: 81,6% do PIB, represente um problema relevante. Ao sustentar que este patamar seria algo aceitável, o candidato citou os exemplos de grandes potências mundiais, como Estados Unidos, Itália e Japão, cujo nível de endividamento está na casa dos 80% do PIB. A resposta vai na direção contrária à expectativa de setores da economia, que veem risco sistêmico na situação das contas públicas no Brasil.
As declarações do titular do Planalto contrastaram com as do adversário do PL. Flávio Bolsonaro prometeu inclusive substituir o regramento estabelecido pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, conhecido como arcabouço fiscal. O mecanismo permitiu ao governo Lula iniciar o terceiro mandato, excetuando despesas bilionárias do ainda vigente teto de gastos, herdado de governos anteriores.
Lula manteve o discurso de expansionismo da economia para gerar riqueza, com realinhamento da taxa de juros. Flávio Bolsonaro prometeu desenhar um ajuste drástico ainda durante eventual governo de transição, atendendo ao senso de urgência comunicado pelos interlocutores do jantar em São Paulo. O contraste de posições repercutiu no meio financeiro nesta sexta-feira e chamou a atenção, levando preocupação à campanha do petista.
O encontro, no Alvorada, no entanto, não deve ser caracterizado como evento de campanha, para evitar reclamações de opositores junto à Justiça Eleitoral, por uso da residência oficial.
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