O que o ministro Alexandre de Moraes tem a ver com o fim da escala 6x1

Ministro do Supremo é o personagem que falta na foto que chancelou acordo para incluir o tema na Constituição

Christina Lemos|Do R7

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Alcolumbre, Lula e Motta Pedro Gontijo/Senado Federal

A participação indireta de um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, na mais importante reviravolta política do ano tornou-se um fato relevante a desafiar as regras tanto do funcionamento do Judiciário quanto da rotina da articulação política do governo federal.

Foi a partir de iniciativa decisiva do magistrado que ocorreu a reaproximação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de quem Moraes é considerado amigo, e o presidente Lula.


Assumindo papel inédito para a função, o ministro patrocinou a reconciliação ao oferecer, na sua própria casa — território afastado da institucionalidade pública —, o jantar que promoveu a conversa sem assuntos vetados.

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Vinte dias depois, o encontro resultou no acordo de cúpula que permitirá a tramitação da mudança na jornada de trabalho de grande parte dos empregados brasileiros — considerado um tranco de efeitos imprevisíveis nas relações econômicas do país.


O ministro é o personagem que falta na foto que chancelou a guinada: sorridentes, em trajes informais, Alcolumbre, Hugo Motta e o presidente Lula, de camisa vermelha, encerram a conversa com os jornalistas de mãos entrelaçadas, prometendo uma união duradoura em favor dos temas de interesse do Brasil.

Dois caciques de diferentes legendas do Centrão, na segunda semana da campanha eleitoral, prometem apoio a medidas que alavancam teses extremamente populares, propostas pelo presidente-candidato.


No Supremo, a cena não passou despercebida. Nem tampouco os efeitos da ação promovida pelo personagem ausente da foto. Ministros fizeram chegar a setoristas de confiança o sentimento de uma potencial quebra da cadeia hierárquica, apontando uma hipertrofia do poder de Moraes, perante o atual presidente, Edson Fachin.

A oposição, que tem o magistrado que prendeu Bolsonaro como inimigo preferencial, acusa o ministro de atuar para promover a vitória de Lula, garantindo assim a tranquilidade do próprio futuro na cadeira. Identifica, portanto, na articulação inusual promovida por Moraes, um traço político-eleitoral e uma iniciativa para se proteger de dissabores num eventual governo de Flávio Bolsonaro.


É com esse espírito que devem se apresentar para votar na CCJ do Senado bolsonaristas e adversários da emenda que implanta na Constituição a escala de trabalho de 40 horas semanais, com dois dias de folga, sem redução de salários. A validação da regra em plenário é dada como certa, embora os efeitos da medida ainda sejam desconhecidos. Novamente, o personagem determinante para o resultado não estará no plenário do Senado, mas assinará como coautor da medida.

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