A união da comunidade venezuelana nos EUA reforça o histórico de resiliência
Longe do país, venezuelanos se mobilizam em resposta à tragédia

Sob os olhos de Simón Bolívar, na praça em Washington (EUA), que leva o nome de um dos principais símbolos da independência da América Latina, o venezuelano Pedro Correa, um dos principais líderes da comunidade venezuelana na capital americana, discursa emocionado.
Ele homenageia as vítimas dos terremotos que atingiram seu país no último dia 24 de junho.
Enquanto o microfone é passado de mão em mão, as lágrimas tomam conta dos presentes, que lembram aqueles que não resistiram aos tremores. O que mais se ouve é a importância da união e da capacidade de ajudar, mesmo à distância.
As palavras também carregam a memória de um povo que há anos convive com crises sucessivas. Ainda assim, o discurso é de esperança: Caracas voltará a ser o que era antes e ainda será possível respirar a brisa do mar em La Guaira, a região mais atingida.
Ao fim, os discursos dão lugar a cantigas iluminadas por velas.
O ato, realizado apenas dois dias depois dos terremotos, consolidou o início de uma espécie de força-tarefa na região, que começou praticamente junto com a notícia da tragédia.
Imediatamente, bares e restaurantes venezuelanos abriram as portas em Washington, Maryland e Virgínia, região conhecida como DMV, para receber doações de medicamentos, produtos de higiene e outros itens de primeira necessidade.
“É uma tragédia. Eles precisam de tudo o que podemos doar”, diz à reportagem Ali Arellano, dono de um restaurante que se transformou em ponto de apoio um dia após os abalos.
No dia seguinte aos terremotos, o venezuelano, que vive nos Estados Unidos há uma década, deixa claro: “Vamos manter as portas abertas o dia todo para ajudar”.
Quase uma semana depois da tragédia, os esforços continuam de todos os lados. Seja nas doações, na triagem dos mantimentos, na organização da ajuda ou até no transporte dos donativos até Miami, de onde parte boa parte da assistência destinada à Venezuela.
A reação imediata da comunidade venezuelana nos Estados Unidos é, acima de tudo, uma demonstração de resiliência. Se Bolívar sonhou com uma América Latina unida e independente, a resposta dessa comunidade em Washington mostra que, dois séculos depois, a ideia de pertencimento ainda atravessa fronteiras.
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