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Guerra no Irã: por que o impacto das tensões nos preços da gasolina varia de país para país

Nos EUA, a alta do petróleo internacional chega mais rápido aos postos

Encurtando Distâncias|Mathias BroteroOpens in new window

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O impacto nos combustíveis depende da estrutura de cada mercado Adriano Machado/Reuters

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a colocar o petróleo no centro das preocupações da economia mundial.

Com os ataques no Oriente Médio e a disputa pelo Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, o preço do barril subiu. Diante das tensões, cresce, no mundo, o temor de ter que pagar mais caro na gasolina e no diesel. Mas o impacto varia de país para país.


Segundo uma análise da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o impacto nos combustíveis depende da estrutura de cada mercado. Fatores que contribuem para o valor incluem, principalmente: o nível de impostos, a presença de subsídios e o grau de intervenção dos governos.

Por que os EUA sentem mais rápido?

Nos Estados Unidos, a alta internacional do petróleo rapidamente se traduz em um aumento nos preços de combustíveis nos postos.


Um dos motivos é que os Estados Unidos têm impostos sobre combustíveis menores do que outras economias desenvolvidas e uma menor intervenção direta do governo no mercado.

O resultado está na correlação entre os preços internacionais dos combustíveis e os valores pagos pelos consumidores americanos: 97% para gasolina e diesel entre 2015 e 2026.


Europa e Japão: mais proteção ao consumidor

Na Europa, a relação entre o mercado internacional e os preços nas bombas também é forte, mas os governos costumam adotar medidas para reduzir o impacto sobre a população. Durante crises de energia, países europeus costumam recorrer a cortes de impostos ou outras medidas temporárias.

Já o Japão segue um caminho diferente. Segundo a IEA, o governo utiliza subsídios para fornecedores de petróleo e mecanismos de controle que reduzem a velocidade do repasse ao consumidor.


E o Brasil?

No Brasil existe uma dinâmica própria. O preço dos combustíveis passa por uma cadeia que envolve a Petrobras, refinarias e distribuidoras. Ou seja: as oscilações do mercado internacional não são repassadas tão rapidamente ao consumidor e envolvem todo um processo, o que pode tornar o impacto mais lento do que nos Estados Unidos.

Além disso, o valor final nas bombas depende de outros fatores, como câmbio, impostos, mistura de biocombustíveis e margens de comercialização.

O jeito como as oscilações do mercado são tratadas varia de país para país. Mas, independentemente da velocidade do repasse, uma coisa é certa: o peso no bolso de quem for abastecer o tanque vai aumentar, à medida que a guerra se prolongar.

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