Do tarifaço à negociação: um ano depois, divergências sobre política comercial ainda ameaçam relação econômica entre Brasil e EUA
Investigações do Representante Comercial podem abrir caminho para novas taxas contra produtos brasileiros
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Há exatamente um ano, uma carta de Donald Trump enviada ao presidente Lula inaugurava a maior crise comercial da história recente entre Estados Unidos e Brasil.
No documento, divulgado em julho de 2025, o presidente americano anunciou a intenção de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida combinava a chamada tarifa recíproca de 10%, aplicada pelos Estados Unidos a diversos países, com uma sobretaxa adicional de 40% direcionada especificamente ao Brasil.
Na justificativa, Trump afirmou que o governo brasileiro adotava políticas que prejudicavam interesses americanos. O presidente americano citou decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo plataformas digitais, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e classificou a relação comercial entre os dois países como desequilibrada.
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Pouco depois, a Casa Branca oficializou a sobretaxa adicional de 40%, justificando que ações do governo brasileiro representavam uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
Mas, ao longo do último ano, o chamado “tarifaço” passou por diferentes fases. Antes mesmo da entrada em vigor das medidas, Washington divulgou uma lista de produtos que ficaram de fora da sobretaxa.
Meses depois, em novembro, após conversas entre Trump e Lula, os Estados Unidos retiraram o adicional de 40% de alguns produtos importantes da pauta brasileira, como carne bovina e café.
Outra mudança veio após uma decisão da Suprema Corte americana, que, em fevereiro deste ano, limitou o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para a aplicação das chamadas tarifas recíprocas. A Casa Branca então buscou uma nova base legal para manter uma sobretaxa temporária sobre importações.
Disputa aberta
Apesar dos recuos, a disputa comercial entre os dois países permanece aberta.
As negociações diplomáticas avançaram até o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca. Até lá, o clima foi marcado por elogios públicos entre os dois presidentes, mas as divergências comerciais continuaram. A equipe americana, liderada pelo representante comercial Jamieson Greer, manteve o argumento de que os Estados Unidos são prejudicados na relação comercial com o Brasil.
Diante do impasse, os dois governos decidiram continuar as negociações. Mas, antes do fim desse processo, Washington anunciou, por meio do seu representante comercial, a intenção de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Investigações do Representante Comercial dos EUA
Agora, o futuro da relação comercial depende principalmente de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.
A primeira, aberta após o anúncio do tarifaço, analisa se políticas comerciais adotadas pelo governo brasileiro prejudicam empresas americanas e se a relação comercial está, de fato, desequilibrada. O processo deve ter uma decisão até 15 de julho.
A segunda envolve o Brasil e outros 59 países e avalia se a falta de medidas para impedir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado gera vantagens comerciais injustas. A expectativa é que a conclusão seja divulgada até o fim de julho.
Juntas, as duas investigações podem resultar em tarifas adicionais de até 37,5% sobre produtos brasileiros.
Um ano depois da carta que abriu a maior escalada comercial entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos, a principal diferença é que a tarifa anunciada por Trump mudou de formato. Mas a disputa que colocou os dois países em lados opostos continua sem uma solução definitiva.
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