Saiba por que o Brasil é sempre o primeiro país a discursar na Assembleia-Geral da ONU
Tradição histórica garante anualmente ao país a abertura do debate geral da organização
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O Brasil é mundialmente conhecido pela força de sua diplomacia. Na Assembleia-Geral das Nações Unidas, isso se traduz em uma posição de destaque: ano após ano, cabe ao representante brasileiro abrir os discursos dos países no principal encontro de líderes mundiais.
Nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a ocupar a tribuna da sede da ONU, em Nova York. Será a décima vez que ele fará o discurso brasileiro no debate geral como chefe de Estado.
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Antes de Lula, falam duas autoridades da própria organização: o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente da 81ª sessão da Assembleia-Geral, Khalilur Rahman, de Bangladesh. Lula será, portanto, o primeiro líder nacional a discursar.
Depois do brasileiro, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O chefe de Estado americano tradicionalmente ocupa a segunda posição entre os representantes nacionais porque os Estados Unidos são o país anfitrião e abrigam a sede das Nações Unidas.
Por que o Brasil fala primeiro?
Não existe uma regra formal que determine que o representante brasileiro deve ser o primeiro a falar. A posição se tornou uma tradição diplomática, construída ao longo das primeiras décadas de existência da organização, fundada em 1945.
Segundo autoridades das Nações Unidas, o costume surgiu porque, nos primeiros anos da ONU, outros países não queriam apresentar suas posições antes dos demais. O Brasil, então, se oferecia para falar primeiro. Com o tempo, a prática virou tradição.
Mas nem sempre foi assim. Nos primeiros anos da Assembleia-Geral, a ordem dos discursos variava. México, Filipinas, Cuba, Canadá e os próprios Estados Unidos chegaram a ocupar a primeira posição.
O Brasil abriu o debate pela primeira vez em 1949. Mas foi apenas em 1955 que o país passou a ser regularmente o primeiro a falar.
As exceções
Mesmo depois de a tradição ter se consolidado, houve algumas exceções. Em 1983 e 1984, os Estados Unidos falaram antes do Brasil.
Também houve mudanças na ordem por causa de atrasos. Em 2016, o então presidente americano Barack Obama não chegou a tempo de falar depois do Brasil. O Chade assumiu a segunda posição. Em 2018, o atraso foi de Donald Trump, e o Equador falou depois do representante brasileiro.
Os demais países são distribuídos ao longo do debate de acordo com critérios como o nível da autoridade enviada, as preferências apresentadas por cada governo e o equilíbrio geográfico, segundo as Nações Unidas.
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