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Donos de terras onde opera a Serra Verde pedem suspensão de venda da mineradora para empresa dos EUA

Defesa reforça pedido de urgência, antes de assembleia de acionistas e após aporte de US$ 750 milhões do governo americano

Encurtando Distâncias|Mathias Brotero, de Washington, D.C.

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Rios e Lima Holding pede urgência à Justiça para suspender venda da mineradora Serra Verde para a USA Rare Earth.
  • USA Rare Earth planeja concluir compra após assembleia de acionistas, com apoio financeiro de US$ 750 milhões do governo dos EUA.
  • Compra da Serra Verde envolve contrato de fornecimento de terras raras estratégicas, com investimento total de US$ 2,8 bilhões.
  • Discussões sobre a venda envolvem preocupações com soberania nacional e participação de órgãos federais brasileiros.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

EUA concluem investimento de US$ 750 mi em terras raras
EUA concluem investimento de US$ 750 mi em terras raras Divulgação/Serra Verde

A Rios e Lima Holding, que representa proprietários de terras onde funciona a Serra Verde, a única mineradora de terras raras em produção comercial no Brasil, reforçou, nesta quarta-feira (26), um pedido de urgência à Justiça para tentar suspender temporariamente os efeitos da venda da companhia para a americana USA Rare Earth.


Os novos documentos, aos quais o blog teve acesso, foram apresentados ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A defesa pede que o desembargador Eduardo Martins analise com urgência um recurso apresentado em junho.

Agora, o advogado Daniel Cavalcante reforça que uma decisão sobre a transação comercial pode ser tomada em uma assembleia de acionistas da USA Rare Earth, marcada para esta sexta-feira (28).


O principal argumento é que a operação avançou desde a apresentação do recurso. Segundo a petição, uma das condições necessárias para o fechamento do negócio já foi cumprida e a própria USA Rare Earth afirma esperar concluir a aquisição logo depois da assembleia. “O risco que fundamentava o pedido de tutela recursal deixou de ser uma projeção da agravante e passou a ter data, estrutura financeira e cronograma anunciados pela própria adquirente”, diz o pedido.

Entre os fatos novos apresentados à Justiça está o anúncio, feito na segunda-feira (24), de um aporte de US$ 750 milhões do Departamento de Guerra dos Estados Unidos e da conclusão de uma estrutura financeira de US$ 1,55 bilhão para garantir a compra da produção da Serra Verde.


A Rios e Lima pede a “imediata suspensão da transação comercial” entre a Serra Verde e a USA Rare Earth. O documento reforça que o pedido não busca interromper a extração de terras raras.

A defesa também pede que a suspensão seja mantida enquanto não forem resolvidas outras disputas judiciais relacionadas à área, incluindo um processo que tramita no Tribunal de Justiça de Goiás e a ADPF 1320, em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), que questiona a operação de venda e discute seus impactos sobre o interesse nacional e a soberania brasileira na exploração de minerais estratégicos.


Assembleia de acionistas pode definir futuro da venda

A USA Rare Earth, empresa americana que pretende comprar a Serra Verde, realiza nesta sexta-feira (28) uma assembleia especial de acionistas para votar propostas relacionadas à aquisição. A companhia afirma que espera concluir a transação logo depois da reunião, caso as demais condições para o fechamento sejam cumpridas.

Compra pela USA Rare Earth

A compra da Serra Verde foi anunciada em abril deste ano, em uma operação avaliada, na época, em cerca de US$ 2,8 bilhões. A USA Rare Earth acertou pagar US$ 300 milhões em dinheiro e entregar aos atuais acionistas da Serra Verde ações da própria companhia que, pela cotação usada quando o negócio foi anunciado, valiam aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Somados aos US$ 300 milhões em dinheiro, o valor da operação chegava a aproximadamente US$ 2,8 bilhões.

O acordo foi anunciado junto com um contrato de fornecimento de 15 anos, que prevê a compra de toda a produção da primeira fase de quatro terras raras estratégicas da Serra Verde: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. A compra dessa produção será feita parcialmente com recursos públicos nos Estados Unidos.

Investimentos do governo americano

O reforço ao pedido de urgência foi apresentado após o Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciar, na última segunda-feira (24), um investimento próprio de US$ 750 milhões para ajudar a garantir a compra das terras raras produzidas pela Serra Verde.

O aporte faz parte de uma estrutura financeira de US$ 1,55 bilhão destinada a garantir a compra da produção da mineradora. Além dos US$ 750 milhões do Departamento de Guerra, estão previstos até US$ 500 milhões em crédito de um grande banco, que não teve o nome divulgado, e pelo menos US$ 300 milhões em compras de terras raras pelo governo americano ao longo de cinco anos.

As terras raras são utilizadas, entre outras aplicações, na fabricação de componentes para sistemas militares. Segundo o Departamento de Guerra, os quatro elementos produzidos pela Serra Verde são importantes para a fabricação de ímãs de alto desempenho usados em equipamentos como caças, submarinos nucleares, satélites, mísseis guiados, navios de combate e drones.

O secretário assistente de Guerra para Política da Base Industrial, Mike Cadenazzi, disse que o investimento é importante para fortalecer a base industrial de defesa dos Estados Unidos. “Ao estabelecer uma parceria com a Serra Verde, estamos dando um passo decisivo para romper o quase monopólio de nossos adversários sobre os elementos de terras raras.” Para os Estados Unidos, a operação também faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência da China na cadeia de terras raras.

Financiamento de banco de desenvolvimento americano

Além dos recursos anunciados pelo Departamento de Guerra, a U.S. International Development Finance Corporation (DFC), agência do governo dos Estados Unidos que financia projetos no exterior, já havia acertado um empréstimo de US$ 565 milhões para financiar a otimização e a expansão da região onde a Serra Verde explora terras raras em Goiás.

Essa não é a única ação que envolve o banco. No início de fevereiro, o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou a jornalistas, durante uma visita a Washington, que buscava investimentos da DFC para financiar a infraestrutura de outro projeto de minerais críticos no estado.

Reunião entre Lula e Trump

A exploração e a comercialização das terras raras brasileiras também foram tema da conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na última sexta-feira (21).

Após o telefonema, que durou mais de uma hora, Lula disse que informou ao presidente americano que o Brasil está disposto a negociar na área de minerais críticos e terras raras, mas defendeu que o processo de transformação desses recursos aconteça no Brasil. “Desta vez a gente não vai ser exportador de matéria-prima”, declarou Lula.

A defesa da holding, que representa proprietários de terras onde funciona a mina, sustenta que o envolvimento de recursos minerais pertencentes à União e o contrato de fornecimento da produção justificam a participação de órgãos federais brasileiros na discussão.

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