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Ruy Barbosa ontem, a democracia hoje: o Brasil entre liberdade e repressão

Parece, mas não é: a tensão entre democracia e autoritarismo segue viva

Heródoto Barbeiro|Heródoto Barbeiro

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Palácio do Planalto Licença Creative Commons

Há um verdadeiro braço de ferro institucional no país. O advogado dos indiciados no Supremo Tribunal Federal defende a tese de que a anistia é um instrumento jurídico e político voltado para a restauração da ordem constitucional e a pacificação social.

Os apoiadores do governo não concordam. Isso provoca a eclosão de embates, tanto no plenário do Congresso Nacional, como nos partidos e na mídia de modo geral.

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O advogado não tem medo. Ocupa a tribuna com coragem e defende os acusados e a adoção da anistia. Sustenta que ela é irrenunciável e irrevogável. Não esconde que tem opinião política e dá entrevistas cada vez mais polêmicas.

Para seus inimigos, joga um balde de gasolina na fogueira institucional que engolfa o Brasil e pode mesmo levá-lo a uma guerra civil. As forças militares não estão fora da disputa pelo poder e a qualquer momento os batalhões do Exército ou navios da Marinha podem se revoltar.

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Inocentar ou não os adversários do governo? Não, dizem os governistas. Em casos onde há violação de direitos humanos e ameaça ao estado democrático de direito, não há perdão.

Tem mais de 300 pessoas presas por participarem de manifestações contra o governo. Os presos não são julgados e não se sabe exatamente que crime cometeram.

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Afinal, a Constituição não garante o direito de livre manifestação? Sim, dizem o presidente e seus ministros, porém não vale quando o estado de sítio é acionado para prever novos confrontos sangrentos.

A elite ligada ao agronegócio teme que a turbulência possa provocar uma rebelião de camponeses e um ataque aos latifúndios produtores de café, uma commodity valiosa no mercado internacional. Ela quer o poder, mas no meio do caminho tem um militar. Tem um militar no meio do caminho.

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Os militares são acusados de apoiar uma ditadura, e se alojar para sempre no poder da República. Lutam pela centralização do poder nas mãos do presidente, não respeitam a Constituição que diz ser o Brasil uma república federalista, ou seja, poder descentralizado. Com isso, os estados teriam parte do poder e poriam fim ao unitarismo histórico.

O remédio proposto pelo advogado Ruy Barbosa para 47 acusados é um habeas corpus que exige a imediata libertação dos presos. Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal aceitar ou não o habeas corpus. Ruy escreveu 76 páginas que são entregues aos 11 ministros do tribunal. O baiano é derrotado por 10 votos a um.

Nos bastidores, paira a versão de que o ditador Floriano Peixoto ameaçou os magistrados de prisão se concedessem o habeas corpus. Ele tem ao lado dele o Exército, que advoga a existência de uma ditadura republicana capaz de levar o Brasil ao progresso com ordem.

Diante da derrota no judiciário, Ruy Barbosa parte para a campanha política e consegue a aprovação em 1892. Mesmo assim, o país não encontrou a pacificação que tanto sonhava.

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