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Guantánamo é o destino dos imigrantes vistos como ameaça aos Estados Unidos

Parece, mas não é: ‘Parte dos prisioneiros é inocente e eles estão presos por causa de sua origem étnica e religiosa’

Heródoto Barbeiro|Heródoto Barbeiro

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Prisão de Guantánamo Sgt. Michael R. Holzworth/Flickr/Joint Task Force Guantanamo

A ordem parte do presidente republicano. Não pode ser contestada; afinal, ele é o comandante em chefe das Forças Armadas dos Estados Unidos. Inclusive da Marinha, que domina a base naval de Guantánamo, no sul da ilha de Cuba. A popularidade do presidente é alta e muito pouca gente está disposta a entrar em um debate sobre enviar prisioneiros para um lugar isolado e inadequado para manter pessoas presas.

De uma forma geral, a população quer se ver livre de pessoas que acredita poderem trazer prejuízos para a nação e até mesmo colocar em risco a segurança nacional. A Cruz Vermelha internacional quer visitar as prisões na base. Há suspeita de que a CIA está por trás das prisões fora do território americano, com a anuência do presidente da República. Exportar pessoas condenadas pela justiça não faz parte da história americana.

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O espírito nacionalista reascende com toda força. Os indesejáveis no continente precisam ser imediatamente mandados embora. Eles ameaçam a sociedade americana e este é um dos temas defendido pelo presidente para cooptar apoio da opinião pública. Entidades de direitos humanos americanas e internacionais fazem críticas ao encarceramento em Guantánamo, não só pela precariedade das prisões, mas por negar o direito de defesa judicial garantido na Constituição dos Estados Unidos.

Há relatos de maus tratos, cerceamento de banho de sol, e tortura física para obtenção de confissões. A mídia nacional e internacional publica reportagens sobre a prisão e o mundo toma conhecimento de violação de direitos de que os Estados Unidos frequentemente acusam outros países.

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“Acuse os outros daquilo que você faz”, dizem os grupos mais radicais defensores dos direitos humanos. O governo, por sua vez, diz que a prisão deve ser usada para deter os piores estrangeiros ilegais que ameaçam o povo americano.

O presidente republicano sofre uma derrota no Senado. Ele quer a instalação de tribunais militares internacionais e que os presos sejam submetidos à lei antiterrorismo. Quer inclusive imunidade para os interrogadores que usarem métodos condenados na Convenção de Genebra. Alega que o crime praticado pelos terroristas, e que abalou toda a sociedade americana, deve ser punido com rapidez e máximo rigor. George W. Bush diz que, se não fosse a lei, o grupo terrorista Al Qaeda teria praticado outros atentados nos Estados Unidos.

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A opinião pública americana ainda não se recuperou do trauma provocado pelos atentados que destruíram as Torres Gêmeas de Nova York, parte do Pentágono em Washington e a queda de um avião de passageiros na Pensilvânia. Nem o ataque contra a base americana de Pearl Harbor, que lançou os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, atingiu tanto o moral nacional. Mais de 700 pessoas povoam a prisão militar de Guantánamo. Apesar das críticas, o governo não volta atrás.

Reportagem publicada pelo jornal inglês The Times diz que Bush sabe que parte dos prisioneiros é inocente e eles estão presos por causa de sua origem étnica e religiosa. O grupo Al Qaeda tem origem no Oriente Médio. A reação aos atentados terroristas é uma forte bandeira para Bush tentar a reeleição e manter os suspeitos presos em Cuba.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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