Maior investimento privado da história do RS recebe licença prévia
Fepam aprovou a viabilidade ambiental da fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro, que promete 12 mil vagas na fase de obras

O projeto da CMPC em Barra do Ribeiro venceu nesta quinta-feira (22) a etapa que estava emperrada havia meses. A Fepam concedeu a Licença Prévia ao Projeto Natureza, da empresa chilena.
É a nova fábrica de celulose de Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O investimento previsto é de R$ 27 bilhões. A própria empresa trata o projeto como o maior investimento privado já anunciado em território gaúcho.
A Licença Prévia da Fepam, Fundação Estadual de Proteção Ambiental, reconhece que o empreendimento é ambientalmente viável no local escolhido. Ela ainda não autoriza obra. Para isso, a CMPC precisa da Licença de Instalação. Depois, da Licença de Operação.
Mesmo assim, é a etapa mais disputada do processo. E foi superada.
Os números
A fábrica deve produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano. A empresa projeta 12 mil postos de trabalho durante a construção e cerca de 6 mil na operação.
O pacote inclui investimentos nos portos de Rio Grande e Pelotas. Também prevê um parque ecológico na RPPN Barba Negra, aberto à comunidade.
A CMPC não é novata no Estado. Já opera uma fábrica em Guaíba, município vizinho.
O nó estava no componente indígena. Na quarta-feira (21), segundo o governo do Estado, a Funai emitiu a anuência referente às comunidades Guarani e Kaingang. Sem esse documento, a Fepam não emitia a licença.
Em setembro, a expectativa da empresa e do governo era ter a licença até o fim daquele mês. Atrasou quase quatro semanas.
Antes disso, houve a Justiça. Em maio, o Ministério Público Federal entrou com ação civil pública pedindo a suspensão do licenciamento. Em 30 de junho, a juíza federal Maria Isabel Pezzi Klein, da 9ª Vara Federal de Porto Alegre, negou o pedido de liminar e permitiu que o processo seguisse. A ação ainda não foi julgada no mérito.
Até junho, a CMPC já tinha gastado mais de US$ 400 milhões só no planejamento do projeto. A previsão inicial era começar as obras neste ano e produzir a partir de 2029.
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A empresa segue trabalhando na otimização do investimento, na negociação com fornecedores e na avaliação de alternativas de financiamento. Ou seja, a decisão final de construir ainda passa pela CMPC.
Mas o Estado fez a parte dele. Depois de uma enchente histórica em 2024, um aporte desse tamanho tem peso que vai além da celulose.
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