Melo diz que Porto Alegre vai ficar menos limpa e com passagem mais cara após fim da escala 6x1
Com menos horas por trabalhador, empresas terceirizadas vão precisar contratar mais, e Melo diz que a conta vai cair na tarifa ou na qualidade do serviço
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), avisou que a passagem de ônibus da Capital vai subir no ano que vem. E já disse o motivo: o fim da escala 6x1, aprovado pelo Senado na noite de quarta-feira (14).
A declaração foi dada em entrevista ao Rio Grande Record, na noite desta quinta-feira (15). Melo falou também como presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), entidade que reúne capitais e grandes cidades e que vem alertando para o custo da proposta desde a tramitação na Câmara.
A conta dos ônibus
Segundo o prefeito, cerca de 35% do preço da passagem vem do custo com motoristas, mecânicos e equipe administrativa. Com jornada menor, as empresas vão precisar de mais gente para rodar a mesma frota. Sobram duas saídas: tarifa mais alta ou mais dinheiro público.
Melo diz que a segunda opção acabou. Hoje a prefeitura coloca R$ 250 milhões por ano para pagar as isenções, e a maior delas é a dos passageiros com mais de 65 anos. Sem esse aporte, a tarifa de R$ 5,30 seria de R$ 8,59, segundo ele.
Se as empresas pedirem reajuste por causa da nova jornada, o prefeito diz que vai conceder e que vai explicar à população o motivo.
“A passagem vai estar mais cara a partir do ano que vem por causa do fim do 6 por 1″, disse Melo.
Cidade menos limpa
O exemplo mais duro veio da limpeza urbana. A Cootravipa, cooperativa que limpa a cidade, tem 3,5 mil trabalhadores na escala 6x1. Para manter o mesmo serviço, Melo calcula que precisaria contratar pelo menos mais 400 pessoas.
Ele já escolheu: a cidade vai ficar menos limpa. E prometeu colocar placas nas ruas avisando que a sujeira e a grama alta são efeito da nova escala.
“Ou você diminui o serviço, ou coloca mais dinheiro”, resumiu.
Melo diz não ser contra o debate, mas chamou a aprovação de eleitoreira e demagógica. Criticou a falta de uma transição longa, como a adotada em outros países, e disse que centrão, direita e esquerda votaram juntos de olho nas urnas. Em junho, a FNP entregou ao Senado um estudo que estima em cerca de R$ 35 bilhões o impacto da mudança para os municípios.
O que foi aprovado
A PEC 221/2019 passou no Senado por 75 votos a 1, nos dois turnos. O texto reduz a jornada para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação e para 40 horas um ano depois. Garante dois dias de descanso por semana, sem redução de salário.
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Déficit de R$ 630 milhões
No mesmo dia, Melo entregou à Câmara de Vereadores a proposta de orçamento de 2027, com déficit previsto de R$ 630 milhões. Ele atribui o rombo à reconstrução depois da enchente de 2024, às isenções de água, IPTU e taxa de lixo dadas na época e à economia fraca. Só a retirada de entulho pelo DMLU custou mais de R$ 110 milhões, segundo o prefeito.
Também pesam o transporte, com R$ 150 milhões ligados à gratuidade dos idosos, e a saúde, com déficit de R$ 263 milhões. Na previdência municipal, o buraco é de R$ 1,3 bilhão por ano.
O prefeito defende um “SUS do transporte”, em que União e estados dividam a conta das gratuidades. Promete medidas para reduzir o déficit, sem zerá-lo, e garante que não vai aumentar imposto. Um dos caminhos estudados é ampliar o uso da Cosip, a contribuição de iluminação pública, para bancar câmeras de segurança. Perguntado se isso significa que o contribuinte vai pagar mais, Melo disse que a proposta ainda não está pronta.
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