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Saúde mental dos gaúchos foi maior impacto das enchentes, revela pesquisa inédita do IBGE

Levantamento com moradores de 133 municípios mostra que quase um milhão de pessoas precisou mudar de endereço após a tragédia climática

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul afetaram a saúde mental de 67,5% dos moradores das áreas atingidas.
  • A pesquisa do IBGE revelou que 55,5% dos domicílios sofreram danos estruturais, e 14,6% dos moradores precisaram mudar de endereço.
  • Quase 79% dos estudantes interromperam seus estudos e 56,4% dos trabalhadores pararam suas atividades durante o desastre.
  • O levantamento destacou a mobilização comunitária, com voluntários realizando 74,9% dos resgates durante as enchentes.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Enchente no RS Maurício Tonetto / Secom-RS

As enchentes de 2024 deixaram marcas que vão muito além da destruição de casas, estradas e cidades inteiras. Uma pesquisa inédita divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo IBGE mostra que o maior impacto do desastre foi invisível: a saúde mental da população.

Segundo o levantamento, 67,5% dos moradores das áreas atingidas relataram que tiveram a saúde mental abalada após as enchentes. O índice supera outros efeitos relevantes, como a interrupção da vida social e familiar (58,4%) e as dificuldades de deslocamento para o trabalho, escola ou creche (57,3%).


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A Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul ouviu moradores de 133 municípios e estimou que 6,33 milhões de pessoas foram afetadas pelo desastre climático. A coleta ocorreu entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho da tragédia. Nas áreas mais atingidas, o Estado tinha cerca de 2,3 milhões de domicílios. Em 55,5% deles houve relato de danos estruturais provocados pelas enchentes. Outros 11,7% foram classificados pelos moradores como destruídos ou muito danificados.


A pesquisa também mostra que a enchente alterou profundamente a vida de milhares de famílias. Cerca de 922 mil pessoas, o equivalente a 14,6% dos moradores atingidos, mudaram de endereço após o desastre. Entre aqueles que trocaram de moradia, 37,9% apontaram as enchentes como motivo direto da mudança.

Outro dado chama atenção: um quarto da população afetada ainda considerava suas condições de vida piores do que antes das enchentes no momento da pesquisa. O percentual dos que percebiam melhora era de 17,3%, enquanto 56,5% afirmaram que a situação havia permanecido semelhante.


Os efeitos também foram sentidos na educação e no trabalho. Quase 79% dos estudantes deixaram de frequentar a escola temporária ou permanentemente durante as enchentes. Entre os trabalhadores, 56,4% interromperam suas atividades remuneradas no período da crise. Apesar disso, os níveis de ocupação registrados na época da pesquisa já eram semelhantes aos observados antes das inundações.

A operação revelou ainda a dimensão da mobilização durante os dias mais críticos. Em cerca de 652 mil domicílios, o acesso ficou impossibilitado e houve necessidade de resgate. O transporte aquático foi utilizado em 70% dessas operações, e os voluntários apareceram como os principais responsáveis pelos salvamentos, atuando em 74,9% dos casos, à frente dos órgãos oficiais.


O levantamento também registrou que 484 mil domicílios receberam algum auxílio financeiro público entre abril e maio de 2024. A maior parte dos beneficiados estava entre as famílias de menor renda.

Na avaliação dos moradores, os desafios continuam presentes. Os percentuais de piora ainda superam os de melhora em áreas como acesso à saúde, drenagem urbana, esgotamento sanitário, transporte coletivo e abastecimento de água. Por outro lado, houve avaliações mais positivas em relação ao fornecimento de energia elétrica, iluminação pública e limpeza das ruas.

A pesquisa é a primeira realizada pelo IBGE com foco específico nos impactos de um desastre climático sobre a população e servirá de base para futuras ações de prevenção, resposta e reconstrução. Mais do que medir prejuízos materiais, o estudo oferece um retrato de como a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul continua presente no cotidiano de milhões de gaúchos.

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