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Porto Alegre instala barreira móvel contra cheias do Guaíba

Prefeitura aposta em diques móveis enquanto financiamento para obra permanente segue em negociação

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Porto Alegre instala barreira móvel contra cheias do Guaíba Luciano Lanes / PMPA

O bairro Guarujá, na Zona Sul de Porto Alegre, está fora da região protegida contra as cheias do Guaíba e nunca teve uma defesa permanente contra a água. Agora, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) instalou ali um novo sistema de barreiras móveis, numa tentativa de dar alguma proteção enquanto a solução definitiva não sai do papel.

O sistema se chama FlexMac DT, desenvolvido pela empresa italiana Maccaferri. É formado por estrutura de aço e arame hexagonal de dupla torção, preenchida com material impermeável no local da instalação. Os módulos se encaixam na horizontal e na vertical com pinos e podem ser empilhados, o que aumenta a altura da barreira. Em linha reta, alcançam mais de oito quilômetros de extensão.


O Dmae investiu R$ 4,1 milhões na compra dos equipamentos. A estrutura é reutilizável e pode ser montada e desmontada conforme a necessidade.

Barreira móvel em Porto Alegre Luciano Lanes / PMPA

O prefeito Sebastião Melo justificou a medida:


“O bairro Guarujá está em uma das cotas mais baixas e nunca contou com um sistema de proteção contra cheias. Essa barreira provisória é uma das medidas previstas no nosso plano de contingência. Para uma solução definitiva, temos o desafio de elevar a cota, sem impedir a relação histórica que existe do bairro com o Guaíba. Já temos planejamento e diálogo com a comunidade, mas essa é uma obra de grandes proporções a longo prazo, por isso a importância de medidas provisórias que também são efetivas.”

O diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, afirma que o recurso já é usado em diversos países, tanto desenvolvidos, como o Canadá, quanto em desenvolvimento, como a Indonésia. Segundo ele, a prefeitura trabalha simultaneamente em ações de curto, médio e longo prazo para transformar Porto Alegre em referência no enfrentamento a eventos climáticos extremos.


Além do Guarujá, as barreiras poderão ser usadas em outros pontos frágeis da cidade, como o dique da Usina do Gasômetro e as avenidas Ernesto Neugebauer e Assis Brasil. Hoje, a estratégia no bairro combina o bloqueio dos canais de drenagem que ligam as ruas ao Guaíba com bombas móveis, que retiram a água da chuva enquanto os estudos para uma estrutura definitiva não avançam.

A obra permanente para o Guarujá e a vizinha Serraria já foi estimada em cerca de R$ 300 milhões, valor que segue sem financiamento fechado. A prefeitura negocia recursos com os governos estadual e federal e também com o AIIB, banco asiático de infraestrutura.


É esse o ponto que não pode se perder de vista. Barreira móvel resolve o curto prazo, mas não substitui proteção definitiva. Um bairro inteiro não pode viver, ano após ano, na dependência de uma estrutura provisória remontada a cada cheia. A torcida, aqui, é dupla. Que a barreira funcione quando o Guaíba subir, e que ela sirva de ponte para uma solução permanente, não de desculpa para adiá-la.

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